A igualdade de gênero é um pilar central na visão ESG (ambiental, social e governança), essencial para promover um crescimento sustentável e inclusivo. Estudos comprovam que empresas com maior diversidade tendem a ter melhor desempenho, com resultados superiores em inovação, produtividade e até financeiros. Nesse contexto, políticas e práticas que promovem a igualdade de gênero são não apenas éticas, mas também vantajosas economicamente.
O Global Gender Gap Index, que avalia anualmente a paridade de gênero em 146 economias, destaca que 68,5% da lacuna global de gênero foi fechada em 2024. No entanto, o ritmo lento de progresso indica que serão necessários 134 anos para atingir a paridade total. No Brasil, o índice revela que 72,3% da lacuna foi fechada, colocando o país na 110ª posição global.

A maior disparidade está no empoderamento político, com apenas 17,7% da lacuna preenchida, refletindo a sub-representação feminina em cargos parlamentares e ministeriais. Na participação econômica, as mulheres brasileiras enfrentam uma lacuna de 39%, ocupando apenas 38% dos cargos de liderança, segundo o Global Gender Gap Report 2024 | World Economic Forum.
Além disso, apesar de as mulheres representarem mais da metade da população brasileira, segundo o IBGE, elas constituíam em 2021 somente 43% da força de trabalho do país, de acordo com o Banco Mundial. Em empresas operacionais, as barreiras são ainda maiores, com mulheres ocupando apenas um quarto da força de trabalho na indústria e 29% dos cargos de liderança. Esses dados destacam a necessidade urgente de ações que promovam a igualdade de gênero.
Esses números reforçam a importância de políticas ESG que promovam a igualdade de gênero. Países que implementam políticas eficazes de igualdade de gênero tendem a ter maior produtividade, inovação e resiliência econômica. Exemplos positivos incluem a Islândia, que lidera o índice com 93,5% de paridade alcançada, e várias economias europeias que estão entre os dez melhores desempenhos globais.
Leia mais em ESG na Prática:
- Impacto econômico dos investimentos ESG: veja o que dizem os números
- O papel da Inteligência Artificial na transformação ESG
- Diversidade, equidade e inclusão: fundamentos da sustentabilidade empresarial moderna
- Governança: o pilar da sustentabilidade corporativa
A tecnologia pode ser um agente crucial na redução das desigualdades de gênero, exemplificado por uma dona de casa no Quênia, que transformou sua vida e a de sua família ao utilizar a tecnologia de pagamento móvel M-Pesa. Essa inovação permitiu que ela obtivesse um empréstimo e o suporte necessário para iniciar seu próprio negócio, destacando o papel essencial da tecnologia na promoção da inclusão financeira e no desenvolvimento econômico.
No Brasil, o serviço de pagamentos instantâneos PIX tem sido um exemplo de sucesso em inclusão financeira, com 70 milhões de pessoas aderindo à plataforma. Esses avanços demonstram como inovações tecnológicas podem ser fundamentais para o desenvolvimento econômico e a inclusão social, proporcionando oportunidades para todos.
Para acelerar a paridade de gênero, é crucial que governos e empresas invistam em recursos e mudem suas mentalidades, reconhecendo que a igualdade de gênero é essencial para o crescimento equitativo e sustentável. A colaboração entre o setor público e privado pode transformar a igualdade de gênero em realidade, impulsionando economias e promovendo sociedades mais justas e inclusivas.
Acompanhe também: