Recentemente, tive a honra de ser convidado pelo professor Felipe Cunha para participar de uma aula no programa “Novas Economias e Cultura para Transição” no Masters ESG na Prática da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).
A discussão foi rica e envolvente, com estudantes de pós-graduação altamente engajados, todos profundamente preocupados e dedicados ao entendimento dos temas ESG (meio ambiente, social e governança).
Foi inspirador ver profissionais bem preparados debatendo com profundidade sobre ESG, compreendendo os desafios e as oportunidades que esse tema traz para o mercado.
Essa experiência me fez refletir sobre os desafios que minha empresa, a O2eco Tecnologia Ambiental, enfrenta, assim como muitas outras, para equilibrar as demandas de sustentabilidade com a busca pelo lucro, ao mesmo tempo em que precisam sobreviver em um mercado extremamente competitivo e desafiador.
Vivemos em uma era que testemunha revoluções industriais desde 1760 e onde o lucro sempre foi o objetivo primordial, frequentemente em detrimento da saúde ambiental, social e de governança muitas vezes escusas.
Este desequilíbrio, que persiste há séculos, e foi reforçada pelo Prêmio Nobel de economia Milton Friedman nos anos 70 – a “doutrina de Friedman”, como foi cunhada, afirma que a única responsabilidade da empresa é com seus acionistas, e como tal, o seu objetivo é maximizar o retorno aos acionistas.
Felizmente esse foco insustentável está lentamente sendo corrigido. A mudança não é apenas uma questão subjetiva; é um processo contínuo que precisa ser intensificado para ser inserido com mais veemência no mercado atual.
Diante deste contexto, vale explorar alguns números que falam por si só sobre o impacto dos investimentos ESG.

Crescimento dos Fundos ESG
De acordo com a Global Sustainable Investment Alliance (GSIA), os investimentos globais em ativos sustentáveis alcançaram US$ 35,3 trilhões em 2020, representando um aumento de 15% em relação a 2018. Esse crescimento não mostra sinais de desaceleração, com estimativas apontando que os ativos ESG podem chegar a US$ 50 trilhões até 2025, o que representaria cerca de um terço de todos os ativos globais sob gestão.
Dados da MSCI ESG Research mostram que, em 2020, empresas com alta classificação ESG tiveram um retorno total médio de 27,46%, superando a média de mercado de 22,14%.
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Desempenho financeiro
Estudos mostram que empresas com altos índices ESG tendem a superar suas contrapartes não-ESG em termos de desempenho financeiro.
Uma análise da Morgan Stanley revelou que, entre 2004 e 2018, empresas líderes em ESG tiveram uma rentabilidade média 2,9% maior em comparação às empresas não-ESG.
Além disso, fundos ESG mostraram resiliência durante períodos de volatilidade do mercado, como observado durante a crise financeira de 2008 e a pandemia de covid-19.
Preferência dos investidores
De acordo com a pesquisa “ESG Market Navigator”, conduzida pela Bloomberg Intelligence, 84% dos executivos entrevistados acreditam que os fatores ESG contribuem para uma estratégia corporativa mais sólida, melhoram a reputação da empresa e facilitam o acesso a capital e expressam interesse em investimentos sustentáveis.
Esse crescente interesse tem levado muitas empresas a adotar práticas ESG mais robustas, não só para atrair investidores, mas também para melhorar sua reputação e minimizar riscos.
Impacto ambiental e social
Os benefícios dos investimentos ESG vão além do desempenho financeiro. Empresas que adotam práticas ambientais responsáveis, como a redução de emissões de carbono e o uso eficiente de recursos naturais, contribuem significativamente para a mitigação das mudanças climáticas.
No âmbito social, iniciativas como a promoção da diversidade e a garantia de condições de trabalho justas têm mostrado melhorar a satisfação e a produtividade dos colaboradores, criando um ambiente de trabalho mais saudável e equitativo.
Governança e transparência
A governança corporativa é outro pilar crucial do ESG e pessoalmente o mais importante. Empresas com práticas de governança sólidas tendem a ser mais transparentes e responsáveis, o que resulta em uma maior confiança por parte dos investidores e outras partes interessadas.
A adoção de práticas de governança eficazes como pode incluir desde a diversidade no conselho de administração até políticas rigorosas de ética e conformidade.
A Microsoft, por exemplo, emite relatórios detalhados de práticas de governança corporativa que são publicados anualmente, incluindo informações sobre remuneração de executivos, políticas ambientais e sociais, e atividades de engajamento com acionistas.
Sustentabilidade empresarial
Ao integrar critérios ambientais, sociais e de governança em suas estratégias, as empresas não só contribuem para um mundo mais sustentável, mas também colherão frutos a médio e longo prazos, principalmente os frutos de um desempenho financeiro superior e uma reputação fortalecida.
Porém, não muda-se mais de 400 anos de cultura industrial tão rapidamente. A boa notícia é que a 4ª Revolução Industrial, a que estamos vivendo agora, que integra o mundo virtual ao mundo real, oferece a oportunidade de um avanço significativo no cronograma para alcançar o equilíbrio da sustentabilidade empresarial.
É um processo que precisamos encarar. Haverá sacrifícios e possivelmente perdas financeiras marginais ao longo do caminho, mas, como diz o ditado: “Às vezes, é necessário dar um passo para trás para ganhar impulso e avançar ainda mais.”