No fim de junho, Caraguatatuba vai receber a 11ª edição do Festival do Cambuci, evento gastronômico gratuito que tem a missão de exaltar essa fruta tipicamente paulista e nativa da Mata Atlântica.
O festival, que faz parte do calendário anual do município, será realizado no próximo dia 30 de junho, das 9h às 17h, na sede do Parque Estadual Serra do Mar.
Expositores vão levar receitas salgadas, doces e bebidas que contam com o cambuci em sua composição, a maioria delas o apresentando como protagonista.
Nesta edição, serão promovidas oficinas gastronômicas e de plantio de espécies nativas como o próprio cambuci e a palmeira-juçara.
Além disso, a programação do festival também terá uma série de atividades voltadas à natureza, aproveitando as riquezas que o parque oferece (veja com detalhes mais abaixo).
Conheça o cambuci
Apesar de próximo, o cambuci pode ser bastante desconhecido. Ele pertence à família das mirtáceas, a mesma de frutas como a pitanga e a goiaba. A origem do nome da família vem do grego “myron” (μύρον), que significa algo como “óleo adocicado” e “perfume”.
O Cambuci tem suas raízes mais especificamente na Serra do Mar, por isso Caraguá o celebra com tanto gosto. É do quintal de casa.
A fruta é ovoide-romboidal, ou seja, parece um disco voador. Outra característica marcante é a crista horizontal, que o divide no meio em dois “hemisférios” simétricos.
Mas foi esse formato incomum que chamou a atenção dos povos nativos e levou ao batismo da fruta. Cambuci vem do tupi-guarani “kãmu-si”, que quer dizer “pote d’água”.

O livro “Cambuci: O Fruto, O Bairro, A Rota” (2011) traz também outra teoria para o nome, uma menos aceita pela Academia, porém mais carregada de simbolismo.
O projeto do livro foi idealizado pela Associação Holística de Participação Comunitária Ecológica (AHPCE) e traz uma “minienciclopédia” sobre a ciência, a cultura e a história por trás da fruta.
“Há quem prefira dizer que o nome Cambuci seria a junção das palavras camb + cy, ambas de origem tupi, cujo significado seria ‘seio de mãe’. Pode não ser esta etimologia a mais correta, mas, certamente, é a mais poética.”
Sabor
O livro recorre a muitos depoimentos e a colaboração direta de 20 produtores locais do fruto. Ainda assim, o sabor do cambuci é difícil de descrever.
“Este fruto de perfume intenso e adocicado apresenta um gosto ácido, uma mistura de jabuticaba com limão e um resquício de goiaba. Só experimentando para entender.”
A partir do cambuci são feitas uma grande variedade de receitas e o festival em Caraguatatuba é a prova viva disso. A fruta é usada para produção de geleias, sorvetes, sucos e licores, para começar. Nesses tipos de preparo, há uma dica valiosa para escolher um bom cambuci: eles devem ser levemente arredondados.
“Assim, sua polpa, com alto teor de umidade, revela um fruto carnoso e suculento, permitindo o máximo de aproveitamento na fabricação dos seus derivados”, explica o livro da AHPCE.
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Quando macerado, o cambuci se torna ingrediente em bebidas alcoólicas e fermentadas, molhos para carnes e peixes.
Sua casca e a folha das árvores ainda dão a possibilidade do preparo de chás, além da extração de óleos
essenciais – bastante úteis na indústria de cosméticos e farmacológica.
Ao natural, ele é menos consumido, mas há quem aprecie e suporte toda a acidez com tranquilidade.
“Em tempos coloniais, era feita uma infusão alcoólica em pinga com os frutos do Cambuci puro ou em mistura com uvaia, outra deliciosa fruta da mesma região. Também conhecida como orvalha, esta mistura era muito apreciada pelos tropeiros paulistas”, conta o livro.
Armazenamento
Se conhecer mais do cambuci te despertou o interesse de colher alguns pela região ou caçá-los nas feiras livres, é importante saber como armazenar a fruta da melhor maneira.
A época do cambuci ocorre de fevereiro a abril, em locais mais próximos da cidade de São Paulo. No entanto, em regiões mais afastadas, como no caso do Vale do Paraíba e Litoral Norte, ela geralmente ocorre entre abril e junho.
O fruto oscila entre 5 e 7 cm de diâmetro, sua casca é fina verde-amarelada e possui no interior uma polpa aquosa. Quando maduro, é muito mole, e em vários casos ele chega a se partir ao cair no solo.
A obra explica que não se devem deixar os frutos colhidos expostos ao sol e que eles devem ser levados imediatamente para o processamento ou congelamento no mesmo dia. É fundamental lavar bem os frutos, tanto para o congelamento como para serem curtidos em cachaça.
Uma suegestão para o armazenamento é guardar o cambuci em sacos plásticos (zipados).
Programação
A programação do Festival do cambuci começa com com uma caminhada especial pelo Pomar das Nativas e pelo comedouro, onde serão abordados de forma lúdica e interpretativa conceitos sobre polinização, dispersão de sementes e restauração ambiental.
Este percurso pode ser realizado também por cadeirantes e pessoas com baixa mobilidade. Para isso, o parque irá disponibilizar a cadeira Juliette, uma cadeira adaptada para percorrer trilhas.
Haverá também uma outra caminhada pela Trilha do Jequitibá, onde o foco serão assuntos correlacionados a programas promovidos pela Fundação Florestal. Para esta trilha, é necessário estar com calçados fechados e adquirir o ingresso no site da Prefeitura.
Para quem gosta de aves, o evento terá uma caminhada até o rio Mantegueira, monitorada por um guia especializado em observação de aves que vai ajudar a encontrar as aves em seu habitat natural.
O festival ainda vai trazer diversas atrações culturais, como roda de bordado, contação de história com caiçaras, peça de teatro, exposição de artesanato e apresentação musical com a Orquestra de Viola Estrela de Ouro.
Além disso, um espaço recreativo com pintura de rosto, observação de insetos, atividades na natureza e brincadeiras vai fazer a diversão da criançada.
Serviço
O Parque Estadual Serra do Mar fica localizado na rua Horto Florestal, n° 1200 – Rio do Ouro.
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