
Participei recentemente do 1º Meeting Destination de Turismo, em São José dos Campos, num painel sobre ESG e turismo regenerativo. O evento foi promovido pelo Destination São José dos Campos, com realização da Rádio Jovem Pan e apoio da Prefeitura, e vale registrar: reunir poder público, iniciativa privada e comunicação na mesma mesa é, por si só, a prova viva do que eu quero defender aqui. Saí de lá com uma convicção antiga renovada, isto é, insistimos em tratar economia e natureza como inimigas, quando na verdade uma sustenta a outra. É uma falsa escolha, dessas que rendem bons discursos e péssimas decisões.
O turismo talvez seja o retrato mais honesto disso. Ninguém viaja quilômetros para conhecer um rio morto, uma praia coberta de espuma ou uma cidade sufocada pelo próprio esgoto. O que atrai gente, gera renda e move economias inteiras é justamente aquilo que a degradação destrói. A paisagem preservada não é um custo ambiental, é ativo econômico. Quando um destino perde sua qualidade ambiental, perde primeiro o encanto e, logo depois, o dinheiro.
Há países que entenderam essa equação antes de nós. A Costa Rica transformou a conservação em política de Estado e hoje colhe turismo, ciência e reputação global a partir de suas florestas em pé. A Nova Zelândia construiu uma marca internacional inteira sobre a ideia de natureza intocada. A Eslovênia foi eleita destino verde de referência na Europa por integrar mobilidade, saneamento e preservação numa mesma estratégia. Nenhum desses lugares abriu mão de progresso. Todos entenderam que o progresso, sem base ambiental, é um castelo construído sobre areia.
O que me incomoda é a polarização. De um lado, quem trata qualquer exigência ambiental como entrave ao desenvolvimento. De outro, quem enxerga toda atividade econômica como agressão à natureza. Os dois erram pela metade, e a metade errada de cada um vira paralisia. Enquanto discutimos qual pilar deve vencer, o rio continua poluído, a obra continua parada e a oportunidade continua desperdiçada.
A verdade incômoda é que meio ambiente e economia não competem, se financiam. Um destino limpo atrai investimento. O investimento gera recurso. O recurso permite despoluir, sanear, restaurar. E o ambiente recuperado atrai mais investimento ainda. É um ciclo virtuoso que insistimos em interromper por preguiça ideológica.
ESG na prática não é escolher entre crescer e preservar. É reconhecer que quem separa as duas coisas geralmente perde as duas. As nações que prosperam de forma duradoura não são as que exploraram tudo, nem as que congelaram tudo. São as que aprenderam a costurar desenvolvimento e conservação na mesma linha.
Está na hora de aposentar essa guerra. Não porque seja bonito, mas porque é burrice econômica manter essa briga. O progresso precisa de natureza tanto quanto a natureza precisa de gente disposta a investir nela. Um sustenta o outro. E vamos focar nisso!
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