Close Menu
    Sobre a spriomais
    • Institucional
    • Equipe
    • Contato
    Escute a rádio spriomais
    Facebook X (Twitter) Instagram YouTube LinkedIn WhatsApp
    • Institucional
    • Equipe
    • Contato
    Facebook X (Twitter) Instagram YouTube Spotify LinkedIn WhatsApp
    spriomais
    • Notícias
      • Cidades
      • Cultura
      • Especiais
      • Esporte
      • Geral
      • Made In Sanja
      • Meio Ambiente
      • Mulher
      • Polícia
      • Política
      • Tecnologia
      • Turismo
    • Colunas
      • + Arte na Cidade
      • Animais Ok
      • Berlim Esporte Clube
      • Código Fonte
      • Cozinha sem Chef
      • Curiocidades
      • Da janela do Helbor
      • ESG na Prática
      • Esquecimento Global
      • Fora do Cabide
      • Ofício das Palavras
      • Playlist de maestro
      • Todas as Claves
      • Viva
    • Podcast
    • Branded
    • Acontece spriomais
    • Publicidade Legal
    rádio
    spriomais


    Você está em:Início » Os quipos
    Ofício das Palavras

    Os quipos

    31 de maio de 2024Updated:31 de maio de 2024Nenhum comentário4 Minutos de Leitura
    WhatsApp Facebook Twitter LinkedIn Email
    Compartilhe
    Facebook Twitter LinkedIn WhatsApp Email Copy Link

    Uma semana vivendo nas alturas nos tira do mundinho básico dos 500 metros acima do nível do mar, de maneira extraordinária. Realizei uma viagem-sonho para Cusco, Peru, com um grupo de amigas. Andar, comer, respirar a quatro mil metros é algo sobre o que nunca pensei. Menos ainda fazer as trilhas para alcançar as Montanhas Coloridas (5.200m) ou a Laguna Humantay (4.200m). Claro, fomos para Machu Picchu (em Quéchua, A Velha Montanha). Andamos muito, tomamos piscos, mascamos folhas de coca, comemos muito bem e tomamos vinhos peruanos. Sobre as maravilhas da natureza não preciso comentar. Basta dar um Google para ver fotos deslumbrantes.

    Ao voltar, na descida do avião, tive uma espécie de interdição geral, mal-da-desaltura. Dor de ouvido, dor de cabeça, tosse, pressão no osso da moleira. Precisei de dois dias para conseguir conversar. Processando, analisando, separando fibras mentais. O que foi tudo o que vivemos? Estivemos tão próximas das nuvens, das montanhas, das geleiras, tão perto do sagrado, que é quase uma ofensa falar sobre ele. Tínhamos o nosso dentro como ovos bem mexidos. Olhávamos para fora e sentíamos para dentro. Mundo interno e externo se espelhando.

    E os guias nos contaram histórias e mais histórias. O Império Inca. O maior das Américas pré-colombianas, surgido no início do século XIII. Os espanhóis dizimaram-no com poucos tiros e muita varíola; o último reduto caiu em 1572. Excelentes construtores, escaladores, guerreiros ferozes. Não deixaram nada por escrito. O que sabemos foi transmitido pela oralidade ou por cronistas espanhóis.

    E nos contaram como os imperadores se sucederam, as guerras fraticidas, a ambição, o ouro. Tudo parecido com o mundo egípcio, com o mundo helênico, com o mundo dos vikings. O inconsciente coletivo está lá, está em mim, está em você.

    Por que não sentiram necessidade de escrever? Por que achar que a linguagem falada é suficiente? Por que não haver um modo para contabilizar os mais de três mil tipos de batatas? Minha cabeça cresce. Vou ver as fotos que fizemos. Muita cor, muitas franjas de tecido, muitos pompons, muitas cordas. Opa! Achei.

    Já ouviu falar nos quipos? Nossos guias, nenhuns falaram.

    Os quipos são conjuntos de cordas e fibras coloridas com diferentes nós utilizados pelos incas para registrar informações, números e provavelmente narrativas. Uma reportagem publicada na revista Newscientist, de setembro de 2018, trouxe um panorama amplo a respeito dos estudos que buscam desvendar o sistema em que são baseados.

    quipo inca, método para comunicação e construção de narrativas usando cordas formando espécie de colar gigante
    Quipo (Créditos: Jack Zalium)

    “A civilização inca tinha 10 milhões de habitantes e um sistema administrativo complexo. O poder central ficava em Cusco, mas as diferentes províncias tinham um certo nível de autonomia. Para fazer o sistema funcionar, eram realizados censos, inventários e contabilidade de tributos, tudo guardado pelos khipumayuq, os guardiões dos quipos, casta especializada nesse trabalho, que sabia atar e ler as cordas”.

    Ah, bom! Não era possível só falas e lendas.

    Então, posso descansar a inquietude, abrir um espumante e comemorar meus 71 anos, feitos em 28 de maio. Tenho de deixar textos escritos e datados, quero que os netos dos netos saibam quem fui. Vão contar que eu tinha asas nos pés, bússola na cabeça e mãos desastrosas.

    Agradeço muitíssimo às amigas (muito xóvens), que tiveram paciência comigo. Foi muito coaprendizado e tanto!

    Minha dica de hoje é: escreva para deixar um testemunho da sua vivência. Não tenha medo de tingir o papel. Compre um caderninho, faço um semanário, se não consegue um diário. Porque se deixar nós atados (em cordas ou no sentido figurado), vai ser difícil alguém decifrar.

    paisagem no peru
    ó o céu, a montanha, as franjas, as cores, a água, a terra (Créditos: Maristela Chaves)
    may parreira posando para foto em tarde no peru
    ó a véia e a Lua! (Créditos: Marina Ribeiro Chibeni)
    mulher vestida com vestimentas tradicionais e chapéu peruano
    Ó os tecidos coloridos na parede (Créditos: Wany Campos)
    mulheres em espaço de venda de produtos típicos peruanos
    Ó os pompons – (Créditos: Maristela Chaves)

    Leia mais de Ofício das Palavras:

    • Quanto tempo dura uma vida calma e tranquila?
    • Mater Amabilis (visita a um Dia das Mães)
    • A vida sem filtro

     

    Acompanhe também: 

    Instagram

    Youtube

    Facebook

    Twitter

    Spotify

    * A opinião dos nossos colunistas não reflete necessariamente a visão do portal spriomais.

    Tati Iaconelli e May Parreira

    Tati Iaconelli e May Parreira

    May Parreira é psicóloga, professora, supervisora e terapeuta há 25 anos. Sua filha, Tati Iaconelli, é formada em propaganda e marketing. Juntas, comandam o Ofício das Palavras, editora e estúdio literário que tem como objetivo lançar novos talentos da língua portuguesa.
    Compartilhe Facebook Twitter Pinterest LinkedIn WhatsApp Telegram Email Copy Link
    Notícias AnterioresFundador da Viação Jacareí, Ronald Marques morre aos 88 anos
    Próxima Notícia Arbotrilha, plantio de mudas e mais: Veja atividades da Semana do Meio Ambiente em São José e SFX

    Notícias Relacionadas

    Sobre objetos de resistência

    28 de maio de 2026

    A arte de conter multidões

    11 de maio de 2026

    Escrever é um ponto de cada vez

    21 de abril de 2026
    Inscrever-se
    Acessar
    Notificar de
    Acessar para comentar
    0 Comentários
    mais antigos
    mais recentes Mais votado

    Vicentina Aranha




    Maisgastronomia



    A spriomais é o primeiro portal jornalistico multidigital do Vale do Paraíba, com os principais acontecimentos da região, do Brasil e do mundo.

    email:
    [email protected]

    Maior festival gastronômico do Vale do Paraíba, com 60 mil pessoas na edição de 2024, e que reúne os melhores restaurantes, bares e confeitarias de São José dos Campos.

    instagram:
    @mais_gastronomia
    email:
    [email protected]

    O design elegante e as fotografias selecionadas reforçam a atmosfera gourmet do jornal impresso e digital do Grupo SP Rio Mais.
    Um convite ao leitor para desacelerar diante das páginas e perceber a informação como parte de uma experiência estética.

    email:
    [email protected] 

    • Facebook
    • Twitter
    • Instagram
    • YouTube
    • LinkedIn
    • WhatsApp
    • Spotify
    © 2026 SPRIO SERVIÇOS DE COMUNICAÇÃO EIRELLI - spriomais 2025 © Todos os direitos reservados

    Escreva algo e precione Enter para buscar. Pressione Esc para cancelar.

    wpDiscuz
    Usamos cookies para garantir que oferecemos a melhor experiência em nosso site. Se continuar a usar este site, assumiremos que está satisfeito com ele.