Não preciso falar como mundo virtual é feito. Todo mundo que tem conta no X (Twitter) ou Instagram (para falar dos antigos) já usou algum tipo de filtro.
Cada vez que entro em alguma rede, vejo propagandas abusivas de tudo que é tipo. Como deixar os dentes branco-omo, como perder 20 quilos com chá de gengibre com urtiga, como escrever um livro e ser best-seller em um ano.
Aí dói. Meteu na quina aquela dor, que conheço bastante. Ninguém, neste mundão, escreve um livro que vai ser sucesso de crítica e de público, assim, de repente.

As pequenas (ou independentes) editoras prometem mundos e fundos para o autor. E o que o autor recebe é necas de pitibiriba, nada de revisão, diagramação horrorosa, impressão de péssima qualidade, e tem que comprar tantos exemplares.
Se o autor não conhece alguém do mercado do livro, se não tem uma boa alma que diga: fuja de golpes, ele confia. Gasta um monte de dinheiro e se frustra.
No #clubedolivrodaofício, no próximo dia 3 de abril, vamos ler O Talentoso Ripley, de Patricia Highsmith (1921/1995). Ela é autora de sucessos levados ao cinema, como Pacto Sinistro (Hitchcock, 1951) e Carol (Haynes, 2015)

Título: O Talentoso Ripley
Autora: Patricia Highsmith
Edição: Intrínseca, 2021
354 páginas
Ripley é jovem, bonito, esperto, falsário, sedutor e carismático. Ele engana qualquer um e faz o enganado se sentir em dívida. Parece a música do Chico, “Te perdoo porque choras/Quando eu choro de rir/Te perdoo/Por te trair”.
Tom Ripley não conheceu celular, internet, WhatsApp. Se fosse vivo, hoje, estaria enganando milhares de pessoas (homens e mulheres) com paisagens paradisíacas, charme e inteligência em corpo caramelo provocante. E vivendo cheio da grana.
Leia mais em Ofício das Palavras: Ficção Americana?
Todas as semanas ficamos sabendo de golpes dados na internet pelos falsos perfis de sites de encontro. Ripley ganharia de braçadas, nesse mar. Assim como as editoras que prometem o que não podem cumprir.
Desde o início do século 21, temos muito claro que quem vende o livro é o autor. É ele que tem de ir à frente de batalha para falar do seu produto (o livro). É ele que tem de ter um canal na mídia para falar sobre o processo criativo, contar um pouco da história do livro, contar a história do autor.
A editora precisa se obrigar a fazer, antes de mais nada, uma análise crítica do material e uma revisão de verdade. Não compre carne de soja por angus premiado. Não existe milagre no meio editorial.
Como dizia meu avô: “quem cai no conto do vigário, é tão vigarista quanto…”
Quer saber como funciona o mercado editorial de verdade, siga nosso perfil @oficio_das_palavras.
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