Barreiras sanitárias e regulamentos técnicos já são conhecidos obstáculos ao comércio internacional para produtos brasileiros, mas uma nova forma de restrição, baseada em critérios de sustentabilidade ambiental, social e de governança (ESG), vem ganhando espaço, especialmente nos Estados Unidos, Reino Unido e União Europeia. Estas regiões, que juntas absorveram 27% das exportações brasileiras no primeiro trimestre do ano, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), começam a impor normas que podem transformar profundamente o comércio global.
Um estudo realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em colaboração com 19 entidades empresariais, identificou 77 barreiras comerciais impactantes, das quais dez estão diretamente relacionadas a critérios ESG. Essas novas exigências elevam os custos para os exportadores, afetando principalmente as pequenas e médias empresas e, muitas vezes, baseiam-se em critérios questionáveis. Por exemplo, o Departamento do Trabalho dos EUA listou o setor de revestimentos cerâmicos do Brasil como ligado ao uso de mão de obra infantil ou forçada, sem considerar as diferenças entre as cadeias produtivas.

No cenário europeu, a recente Diretiva de Due Diligence de Sustentabilidade Corporativa (CS3D), aprovada pelo Parlamento Europeu, está prestes a revolucionar a operação de grandes empresas. Com requisitos rigorosos para evitar violações de direitos humanos e danos ambientais em cadeias de suprimentos, esta diretiva afeta diretamente exportadores brasileiros de commodities, como soja, carne e algodão. Em 2023, somente em soja e carne bovina, o Brasil exportou cerca de 21 bilhões de euros para a União Europeia, segundo o Comex Stat.
Empresas europeias agora devem garantir que seus fornecedores brasileiros cumpram esses novos padrões de sustentabilidade e direitos humanos. Isso significa um desafio enorme para os produtores locais, que precisarão melhorar seus processos de monitoramento e rastreamento, o que, inevitavelmente, aumentará os custos operacionais. No entanto, tais investimentos são vistos não apenas como uma necessidade de compliance, mas como uma estratégia essencial para manter a competitividade no mercado europeu.
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A legislação europeia inclui um período de transição de 2027 a 2029, que varia de acordo com o tamanho das empresas, oferecendo tempo para adaptação. Este período será crucial para que as corporações brasileiras ajustem suas cadeias produtivas aos padrões globais de responsabilidade social e ambiental.
O Brasil, portanto, encontra-se diante de uma oportunidade única de se posicionar como um player importante em práticas de ESG, transformando esses desafios em uma vantagem competitiva no cenário internacional. Adotar essas práticas não é apenas uma resposta às exigências externas, mas uma maneira proativa de promover um ambiente de negócios mais sustentável e responsável.
´Você conduzirá [essa transição] ou s e r á conduzido? N ã o se trata de política. Não é uma agenda social ou ideológica. É o capitalismo, conduzido por relacionamentos mutuamente benéficos entre você e os funcionários, clientes, fornecedores e comunidades nos quais sua empresa depende para prosperar.”
– Larry Fink CEO da Black Rock – Maior gestora do mundo com ativos de US$10 trilhões.
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