Na coluna ESG na Prática desta semana abordamos a inclusão, um pilar fundamental para sustentabilidade, governança e responsabilidade social das empresas. A inclusão social é crucial para a construção de uma sociedade equitativa, focando no estabelecimento de normas que asseguram igualdade e acesso a direitos fundamentais como educação, saúde e trabalho.
Recentemente, a 2ª Reunião Técnica do Grupo de Trabalho sobre Emprego do G20 Brasil destacou a importância da igualdade de gênero e da promoção da diversidade no ambiente laboral, alcançando um consenso que reflete o comprometimento global com a redução das desigualdades. Este encontro ressalta a necessidade de combater as barreiras sociais criadas pelo racismo, disparidades de gênero, diferenças de classe e limitações físicas ou mentais, promovendo um ambiente mais inclusivo.

Tenho trazido exemplos na prática de empresas que fazem a diferença e buscam ser um exemplo a ser replicado (e espero que sejam). Um ótimo modelo é a campanha “Elas por 40”, lançada no Dia Mundial da Água, encabeçada pela Purificadores Europa com a Sustainable Development & Water For All – SDW.
A campanha ilustra como as iniciativas corporativas podem abordar a inclusão, melhorando o acesso a recursos essenciais e destacando a interconexão entre inclusão social e sustentabilidade ambiental. A iniciativa, que possui a liderança inspiradora de Manuella Curti, CEO da Purificadores Europa, visa abordar essa questão crítica de forma objetiva, e visa fornecer água potável a 40 famílias situadas no interior da Bahia.
No Brasil Mais de 33 milhões de brasileiros não têm acesso à água potável e quase 100 milhões ainda não usufruem dos serviços de coleta e tratamento de esgoto, conforme informações do SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento), evidenciando um caminho extenso para aqueles que buscam recursos hídricos básicos. E para deixar essa ação mais inclusiva, Manuela estendeu o convite para 20 executivas e conselheiras que já se posicionam de forma atuante em diversidade e inclusão.
Paralelamente, não há como não falarmos de inclusão e não mencionarmos o reconhecimento de Ailton Krenak na Academia Brasileira de Letras. Krenak simboliza o avanço na inclusão cultural e social dos povos originários, um marco importante na valorização da diversidade.
As comunidades indígenas têm sido os guardiões do meio ambiente e existe um intercâmbio valioso de saberes a ser feito com eles. Há um grande potencial de aprendizado mútuo, especialmente porque, no que se refere à gestão de recursos naturais, eles têm mais de 50 mil anos de experiência no manejo sustentável da natureza.
A combinação deste conhecimento ancestral com nossa tecnologia moderna tem o potencial de propiciar um avanço significativo e garantir a sustentabilidade e a longevidade do nosso planeta. E um exemplo disso é que nunca houve uma arma biológica tão letal nos últimos 2 mil anos como o ser humano.
Como disse Krenak, “o futuro é ancestral”, ou seja, não há futuro possível sem a recuperação e valorização das visões de mundo sustentáveis de eras passadas.
No contexto brasileiro, as políticas públicas, como as cotas raciais, demonstram um esforço para promover a inclusão social. Os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelam tanto os progressos quanto os desafios remanescentes: enquanto há um aumento significativo de estudantes negros no ensino superior, as estatísticas sobre a participação de pessoas com deficiência no mercado de trabalho indicam a necessidade de políticas mais robustas para garantir igualdade de oportunidades.
E ainda na inclusão racial nas universidades, ve-se uma dicotomia, pois há o aumento de estudantes em nível superior, porém devido a fragilidade social e educacional os níveis acadêmicos nas universidades enfrentam desafios diários nas salas de aula. A solução talvez esteja na base estrutural da pirâmide sócio educacional e não no topo da mesma.
Esses elementos sublinham a relevância de ações inclusivas em todas as esferas, contribuindo para o desenvolvimento socioeconômico e minimizando desigualdades. Como parte do compromisso com os princípios de ESG, é imperativo que empresas e governos continuem a engajar-se em práticas que promovam uma sociedade mais justa e inclusiva, reconhecendo a diversidade como um ativo valioso para o progresso sustentável.
Complemente sua leitura: A importância e o poder da inclusão social no mercado de trabalho – uma experiência em Portugal