Wilson Cabral, pré-candidato do PDT a prefeito de São José dos Campos, criticou com força o número de terceirizações propostas pela Prefeitura e a forma como elas têm sido administradas ao Podcast Talk+.
“A Prefeitura também tem que ter capacidade para fazer a gestão e fiscalização desse contrato, o que muitas vezes não tem. Você enxuga de tal forma o quadro público, a lei do estado mínimo, que depois não tem quem fiscalize. E isso está acontecendo para várias coisas, desde a saúde e o lixo”, enfatizou.
Wilson se refere aos recentes problemas que o município enfrentou com empresas prestadoras de serviços. No último mês de dezembro, a Prefeitura rescindiu contrato com a organização que administrava sete das unidades de saúde na cidade após investigação da PF por lavagem de dinheiro e outros crimes.
No mesmo mês, o município também desfez o contrato com a companhia que fazia a coleta de lixo, após inúmeras reclamações de moradores sobre a precariedade do serviço.

Privado é melhor que público?
Professor titular do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), Wilson acredita que há “quase um dogma” na gestão municipal de que os serviços privados são melhores do que os públicos – o que é errado, em sua opinião. A privatização da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) ilustraria um desses exemplos.
“Águas, saneamento. São como monopólios naturais. É difícil você tratar isso com competitividade. Você ter várias empresas, num mercado, que ofertassem água e saneamento e você pudesse escolher. E essa escolha garantiria uma competição que vai levar a um melhor serviço. Como são monopólios naturais, você tem problemas quando se faz a privatização”, explicou.
São Paulo caminha para uma experiência inglesa
O pré-candidato à Prefeitura em São José fez parte de seu doutorado em economia na Universidade de Londres, na Inglaterra. Lá ele pôde analisar de perto o sistema inglês de gestão de água, que seria algo próximo do que será implementado em São Paulo com a privatização da Sabesp, em sua avaliação.
Os serviços de água e esgoto na Inglaterra foram privatizados no fim dos anos 1980 pela ex-primeira ministra Margaret Tacher. Wilson contou que em 2002, quando esteve em Londres, o serviço era bem avaliado pela população, mas três décadas depois o serviço tem declinado. A privatização entrou em colapso.
Wilson julga que hoje, no Brasil, nenhuma esfera pública, do governo federal aos municipais, é capaz de gerir um contrato de concessão de um serviço assim.
“Hoje está sendo feita uma ampla revisão dos sistemas de concessão da Inglaterra por conta desse problema da Thames Water [uma das principais empresas de abastecimento de água]. Era uma empresa que atendia Londres e passou a ser mundial. E aí ela está quebrando. Quando a companhia multinacional está quebrando, o que eles fazem? Eles liquidam a companhia e aí pouco importa quem é que está na ponta, se é um consumidor se é uma empresa. A gente está falando de um serviço essencial”, disse.
Assista a entrevista com Wilson Cabral (PDT)
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