A população de Volta Redonda vive um drama diário com a poluição de um “pó preto” que invade suas residências, parques, quadras poliesportivas e claro, escolas geral.
Há seis anos o Governo do Estado do RJ não fiscaliza a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), para esse tipo de ação poluidora sedimentável.
A mais antiga siderúrgica do país ainda tem o agravante que funciona sem licença desde 2018, quando a empresa assinou um Termo de Ajustamento de Conduta com o Ministério Público. Desde então, a empresa paga as multas estipuladas para operar.

E a situação apenas fica pior, com equipamentos antigos que não conseguem deter os poluentes a população de Volta Redonda sofre com a situação.
Segundo a moradora Thaís Vasconcelos, “A poluição atinge quando afeta nossa qualidade de vida. Eu não posso levar meus filhos para a rua, pois voltam com crise de asma, não posso passear com o cachorro, ele volta preto do pó da siderúrgica, nossa preocupação é como será nosso futuro”, afirmou.
Há também indícios de incoerência nos dados analíticos sobre a qualidade de ar da cidade o que traz também desconfianças e dificuldades para pesquisas e publicações científicas sobre a poluição e seus efeitos na cidade – E a chegada do inverno apenas veio agravar os casos de doenças respiratórias entre os moradores na cidade.
A FioCruz, instituição de pesquisa do estado do Rio de Janeiro, afirma que há relação direta entre mortes, abortos espontâneos e inúmeras doenças devido a poluição da CSN. O Conselho ambiental afirmou que não há como monitorar esse tipo de poluente sedimentavel, porém o Ministério Público rebateu tal afirmação ao afirmar que há esse tipo de fiscalização não apenas em outros países, como o Canadá, mas também em estados brasileiros como Minas Gerais.
Há também a preocupação com o lixo da siderúrgica que é despejado às margens do Rio Paraíba do Sul possivelmente leva esses poluentes consigo em seu percurso. Ontem (14) a CSN foi multada em R$1MM.
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Governança corporativa sem ação efetiva é governada à deriva
Esse caso da CSN vem apenas ilustrar o quanto as políticas ESG são importantíssimas para a sustentabilidade empresarial e socioambiental de toda a cadeia envolvida, pois temos todo o ecossistema da sigla ESG em claro desequilíbrio.
Na questão ambiental a qualidade do ar, a questão do lixo gerado pela CSN estar perto do rio Paraíba do Sul que cruza três dos estado mais importantes do Brasil, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, portanto levando um passivo ambiental muito além do imaginável.
Com relação ao aspecto social, seus stakeholders, colaboradores, comunidade ao redor estão sendo afetados diariamente pelos efeitos do poluentes sedimentáveis que agrava a saúde de todos.
Porém, é na governança corporativa que geralmente está o problema. A falta de uma ação preventiva e de certa forma corretiva emergencial traz luz a um dos maiores problemas impeditivos de avançarmos na agenda ESG no Brasil.
É dever da governança corporativa trazer ações claras nos três pilares do ESG – A empresa deveria apoiar uma política transparente no setor de sustentabilidade e meio ambiente da empresa, afim de evitar o risco de multas ambientais e até a paralização das operações através do ministério público com prejuízos imensuráveis para companhia.
Da mesma forma, deve-se preocupar com seus colaboradores e a sociedade civil, trazê-los para uma conversa franca sobre o bem estar de todos, encarar suas dores e o quanto a companhia poderá ajudar a evitar ou mitigar tais problemas. É dever da empresa ser proativa nessa questão social, pois poderá evitar ações judiciais trabalhistas de seus colaboradores e de protestos da própria sociedade civil que geram uma péssima imagem perante ao mercado e que afeta suas ações e seu balanço financeiro no ano fiscal.
Portanto, fica evidente que uma empresa que não possui uma governança corporativa transparente em sua comunicação com todos os stakeholders, que não equilibram suas ações socioambientais de forma práticas efetiva, estarão fadadas à cenários turbulentos e que dificilmente conseguirão trazer a sustentabilidade econômica para a empresa a médio e longo prazos.
O caso da CSN, não é o único, e não será o último, mas traz a importância da sociedade civil como um todo participar de conselhos ambientais em suas cidades para pressionarem todos os órgãos e entidades responsáveis a tomarem atitudes preventivas e não reativas como no caso acima.
(Conselho Ambiental do Meio Ambiente- COMAM de São José dos Campos – SP, presidido pelo Sr. Secretário de Urbanismo e Sustentabilidade, Marcelo Manara executa esse papel de forma exímia e merece ser replicado em outras cidades).
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