Talvez nunca se tenha feito tão importante dentro de uma empresa e sua estratégia corporativa as consequências das mudanças climáticas.
A pauta para se adaptarem ao tema citado acima caminha em rumos e velocidades distintos se olharmos com o devido cuidado para o mercado – Obviamente que empresas que possuem uma dependência hídrica e enérgica direta, como celulose, cervejarias, mineração, siderurgia, agropecuária, entre outras, estão num estágio mais adiantado.

Porém, ainda há uma grande parte das empresas que não percebem o problema que está a sua frente, como afirma o pesquisador do Instituto Talanoa, Shigueo Watanabe Jr, especialista em mudanças climáticas – que uma grande parcela das empresas de setores apenas investirão em adaptação quando o problema ocorrer, ou seja, um grande equívoco sendo cometido.
Provavelmente a soja cultivada na metade do Centro Oeste moverá para o sul dos estado que compõe essa região, como Mato Grosso, Tocantins e Goiás. Há indicadores que o café concentrado na região sul de Minas Gerais migrará mais ao sul do país, nos estados de Santa Catarina e Paraná – acompanhando as mudanças de clima, chuvas e, consequentemente, afetará o mapa agrícola do país.
Grandes empresas que conseguem enxergar essas mudanças climáticas de forma clara, já tentam minimizar sua pegada de impacto ambiental e estão preocupadas como podem afetar seus negócios. Exemplo disso, que investem cada vez mais em pesquisas e tecnologias, focadas em melhoramento do solo, produtos biológicos e etc, pois já se percebe uma redução global de alimentos, qualidade de nutrientes e impacto negativos em cultivos agrícolas e pecuária no mundo.
Mudanças climáticas e mudanças de paradigmas
Larry Flink, CEO da BlackRock, o maior fundo de investimento, do mundo afirma que na questão ESG a nível empresarial, “Você lidera ou será liderado”. A afirmação se coloca pelo fato de não haver um outro caminho a não ser de proatividade nos três pilares e letras (ESG) mais em voga no mundo hoje.
Porém, é notório que somos uma sociedade mais reativa a problemas e condições adversas se comparadas as sociedades mais desenvolvidas no mundo. Em nosso país, não há muitas políticas efetivas de planejamento, visão, gerenciamento de riscos estratégicos a longo prazo, principalmente em se tratando mudanças climáticas.
O fato da maioria das empresas de setores não estarem se preocupando com o tema, ilustra bem esse fator reativo as adversidades que poderá levar essas empresas a deixarem o mercado num futuro bem próximo.
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O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) de São José dos Campos, já traz esse alerta há décadas. O Instituto Trata-Brasil afirma que a demanda hídrica para o estado de São Paulo para 2040 será de 3,6 Bi de metros cúbicos, e segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), em 2019 havia mais de 83000 km de rios poluídos no Brasil – Muitos desses rios não servem mais para a irrigação agrícola e muito menos para o consumo humano.
Devido às mudanças climáticas, há uma enorme chance do mapa agrícola do Brasil mudar, e precisamos urgentemente quebrarmos o paradigma de sermos reativos à adversidades, pois um país que alimenta 1 Bilhão de pessoas no mundo e o Agronegócio carrega consigo a responsabilidade econômica atual do país, não olharmos para o fator climático será um equívoco a nível Global.
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