Depois das rodas em volta do fogo para a contação de histórias, muito tempo depois, com a escrita, os homens (poucas mulheres) endinheirados começaram a contar histórias de Deus nos livros cheios de iluminuras. Não podemos esquecer que antes, gregos e egípcios, em Alexandria, confiscavam os livros das embarcações, para construírem a maior biblioteca do mundo.

Os pobres da Idade Média não tinham acesso aos livros, reservados ao clero e à nobreza. Era comum alguém letrado, dispor-se a entreter os mais próximos sob as chamas de uma vela. A própria esposa de Shakespeare não sabia ler, mas essa é outra história.
A prensa de Gutenberg (século 14) levou o conhecimento ao povo. As palavras de Deus
puderam ser lidas por todos. Nos séculos 17 e 18, formaram-se as rodas intelectuais para trocar ideias (com chá e bolos), tendo um livro (ou autor) como mote.
Quem assistiu a Adeus Minha Rainha (filme de Benoît Jacquot, 2012), acompanha a jovem que lê para Maria Antonieta e sua devoção à Madame de La Fayette, que escreveu A Princesa de Clèves (na corte do Rei Sol), reconhecido por ser o primeiro romance psicológico.
Os Clubes de Leitura que conhecemos hoje são diferentes em muitos aspectos, mas ainda mantêm o charme da reunião de pessoas que se dispõem de tempo para mergulhar num diferente universo proposto pelo autor. Deixamos de lado as telas, os teclados, os ruídos.
Somos contadores de histórias, gostamos de compartilhar as experiências, e nada melhor do que presenciar visões diferentes da mesma leitura.
O nosso #clubedolivrodaoficio é sempre na última quarta-feira do mês. Em 28 de junho
teremos a presença de Marçal Aquino para falar de seu pungente romance Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios. Se quiser ainda dá tempo!
#clubedolivrodaoficio
@oficio_das_palavras
May Parreira
Livro: Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios
Autor: Marçal Aquino
Editora: Companhia das Letras
Filme de Beto Brant, Renato Ciasca, 2012
Leia as outras matérias da coluna Ofício das Palavras.