
Em sabatina do projeto “Especial Eleições 2026”, o vereador de São José dos Campos e candidato a deputado estadual de São Paulo, Thomaz Henrique (PL), defendeu o fim das cotas raciais nas universidades públicas e a adoção de cotas sociais como medida de transição até que estudantes de diferentes condições socioeconômicas tenham oportunidades mais equilibradas de acesso ao ensino superior.
Ao falar sobre o tema, Thomaz afirmou que as cotas raciais, da forma como são aplicadas nas universidades públicas estaduais de São Paulo, podem transformar o processo de seleção em um “tribunal racial”.
Para Thomaz, esse tipo de avaliação se assemelha a julgamentos raciais praticados durante a Alemanha nazista. “Sabe como a pessoa é julgada se ela tem direito à cota ou não? Pelo tamanho do lábio, pelo fenótipo do nariz e isso é muito semelhante ao tipo de julgamento que ocorria em tribunais raciais na Alemanha nazista, por exemplo, é uma forma de preconceito.”, afirmou.
Thomaz, porém, afirmou que as desigualdades de origem justificam a manutenção de políticas de acesso voltadas a estudantes de baixa renda.
“A prioridade nossa, nós que somos de direita, é investir na educação de base. Quando a gente investe cada vez mais na educação de base, a gente acredita que a gente aproxima mais as pessoas a terem condições mais próximas de acessar uma universidade no futuro.”
O candidato citou como exemplo a diferença entre um estudante que cresce em uma família estruturada, com maior renda e acesso à escola particular, e outro que não teve as mesmas condições durante a formação básica.
Segundo Thomaz, enquanto essa desigualdade não for corrigida, a chamada cota social ainda seria necessária. Ele defendeu uma mudança na prioridade dos investimentos públicos em educação, com maior atenção à formação básica.
“Hoje o Brasil investe demais na educação superior e pouco na educação de base. A gente tem que inverter essa pirâmide.”
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Cota social como medida temporária
Na avaliação do candidato, a política de cotas sociais deveria funcionar como uma espécie de mecanismo temporário, enquanto a educação básica pública não oferece condições mais próximas às encontradas por alunos da rede particular.
Ele afirmou que estudantes de regiões periféricas podem chegar ao vestibular sem a mesma preparação daqueles que tiveram acesso a escolas particulares, mas ainda assim devem ter a possibilidade de disputar uma vaga no ensino superior.
Thomaz também relacionou a proposta à sua visão sobre programas sociais. Para ele, políticas de assistência devem funcionar como uma “porta de saída”, acompanhadas de qualificação profissional e oportunidades para que os beneficiários alcancem autonomia.
O candidato criticou governos de esquerda por, segundo sua avaliação, utilizarem programas sociais para manter a dependência da população em relação ao Estado e citou benefícios como o Bolsa Família e o Pé-de-Meia.
“A gente quer sim que as pessoas recebam esses programas sociais quando necessários, mas que tenham desenvolvimento e qualificação profissional para que elas possam sair.”
A proposta defendida por Thomaz, portanto, é que as cotas sociais sejam mantidas enquanto persistirem as diferenças de acesso e qualidade na educação básica, mas que deixem de ser necessárias no futuro.
“E se Deus quiser no futuro a gente não ter cota nenhuma, porque tanto negros quanto pobres, quanto ricos vão ter qualidade suficiente para disputar de forma igual. Ou de forma equânime a universidade pública e estadual.”
O projeto “Especial Eleições 2026” é realizado em parceria entre o Portal Spriomais e a rádio Jovem Pan de São José dos Campos. A entrevista está disponível na íntegra nos canais oficiais dos dois veículos.