
Segurança vai muito além de polícia na rua…
A segurança é feita de muitos detalhes: de ruas, avenidas e praças bem iluminadas; de boa zeladoria pública, com mato cortado e ruas limpas; de quadras de esporte em bom estado na periferia; de escolas de qualidade, com bons professores e merenda escolar nutritiva e bem balanceada; de oportunidades de emprego; de uma rede eficaz de proteção social para crianças, adolescentes e mulheres; de moradia de qualidade; de um bom transporte público; enfim, de muitas coisas que vão além do contingente de policiais de cada cidade, do número de rondas feitas e do armamento de cada corporação.
Hoje, no Brasil, dá para a gente ter tudo isso?
Esse é um cenário ideal, difícil de encontrar. É trágico, mas a conta da desigualdade social; da incapacidade do país de fechar suas fronteiras ao narcotráfico; da ausência parcial ou total do Estado em áreas críticas da sociedade; do fracasso na estruturação de boa parte das nossas forças de segurança; da falta de integração entre órgãos federais e estaduais no combate ao crime; bem, essa conta é cobrada da área da Segurança Pública.
Pesquisas diversas revelam que a violência se tornou a maior preocupação dos brasileiros, superando economia, saúde e corrupção. Seis em cada dez brasileiros relatam não se sentirem seguros ao andar pela própria cidade.
Com um agravante: a percepção de risco é semelhante, seja em cidades pequenas, seja em cidades grandes, com 56% dos brasileiros conhecendo alguém que já sofreu roubo em casa ou comércio.
Leia mais: Um desabafo sobre Segurança Pública
Qual o caminho para consertar isso?
Pra consertar o país inteiro, o caminho passa, principalmente, pelo voto, pela justiça social e pela educação, um investimento de médio e longo prazo. Para ações práticas na área de Segurança Pública, o caminho também é longo e passa, antes de tudo, por abandonar a demagogia e as soluções de “cuspe”, que rendem voto, mas poucas alternativas práticas.
Sejamos honestos: responsável direto pela Segurança Pública, segundo a Constituição Federal, o Estado tem sido incompetente para adotar soluções para o problema, apesar de alguns avanços aqui e ali. O cenário é diferente em diversas áreas do país, mas a sensação de insegurança é constante do Oiapoque ao Chuí.
Aqui na RMVale, a posição da região, há anos e anos, como líder do Mapa da Violência do Estado, é um atestado da dificuldade do governo de São Paulo, responsável pela administração do Estado mais desenvolvido do país, em lidar com o problema. É lamentável…
Alternativas
Mas caminhos existem…
Investimento em tecnologia, monitoramento e inteligência, atuação coordenada entre as forças de segurança, capacitação profissional, investimento em equipamentos de qualidade, transparência e controle da sociedade sobre o setor são alguns dos caminhos possíveis e aplicáveis.
Como escrevi no artigo inicial dessa série, São José dos Campos deu um passo importante ao unir boa parte dessas ações no programa “São José Unida”, cuja eficácia vem sendo demonstrada por números positivos na Segurança Pública. Dá para “exportar” esse modelo?
Com trabalho e investimento, dá. Mas é um longo caminho, que precisa ter começo, meio e fim.
Segue o baile…
PS: este é o último de uma série de quatro artigos sobre Segurança Pública que escrevi nas últimas semanas.
Quem leu, comente aqui se gostou e dê sua opinião sobre essa área, tão sensível para nós, brasileiros. Quem não leu até agora, leia. Os textos estão disponíveis na coluna. Abração, fui…