Morreu nesta segunda-feira em Curitiba, aos 99 anos, Dalton Trevisan, um dos escritores mais criativos e talentosos do país e, talvez, um dos menos conhecidos pelo público.

Recluso, conciso na escrita, Dalton Trevisan deixa uma fieira de obras-primas, construída a partir de contos, que retratam desejos, dramas e tramas inspirados em personagens da sua Curitiba, onde nasceu e morreu. De cabeça, enumero “Novelas Nada Exemplares”, “Polaquinha” (seu único romance; na verdade, um conto estendido, como dizem os críticos literários), “Cemitério dos Elefantes”, “Desgracida”, “Guerra Conjugal”, e “O Vampiro de Curitiba”, sua obra mais conhecida, que valeu a Dalton o epíteto que passou a valer como seu segundo nome, embalado no mistério que cercava ele e sua obra.
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Era avesso aos holofotes, a ponto de enviar representantes para receber os inúmeros prêmios que conquistou por sua obra no país e fora dele. Mas era visto pela cidade, aqui e ali. Uma vez, por exemplo, quando sua fama de recluso já era conhecida, encontrei com o escritor em um café na rua Tibagi, no centro de Curitiba, quando, estudante de Arquitetura, morei lá, no final dos anos 70. Tímido, resisti ao desejo de pedir um autógrafo no exemplar gasto do “Vampiro”, lido e relido.
Uma pena.
Longe das entrevistas e dos olhares curiosos, tinha o costume de presentear jornalistas e amigos com livretos impressos, com contos ainda a serem lançados, ideias colocadas no papel. A partir dos comentários e das críticas, burilava a obra, cortando palavras e trechos inteiros, em busca da concisão perfeita. Menos é mais em sua obra. Ganhei uma dessas mini-brochuras de uma amiga, Marleth Silva, jornalista de Curitiba, sabedora da minha admiração pelo escritor.
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Guardo-a com carinho.
“Todo vampiro é imortal. Ou, ao menos, seu legado é”, escreveu a família no Instagram, ao comunicar sua morte. É fiel ao que Dalton Trevisan acreditava: a obra é o que importa, não quem a escreveu. Não releio sua obra há tempos. Hoje vou reencontrá-lo, lendo “O Vampiro de Curitiba” e, talvez, “A Polaquinha”, catando trechos, aqui e ali.
O “vampiro” morreu, viva o “vampiro”!
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