
Love, love, love. Uma palavra, dita três vezes.
O show de intervalo da final da Copa do Mundo de 2026 prestou uma homenagem ao maior atleta da história: Pelé. Os telões do MetLife Stadium exibiram o trecho final do discurso feito pelo Rei do Futebol em 1º de outubro de 1977, durante a despedida de Pelé do futebol profissional diante de mais de 75 mil pessoas, no antigo estádio dos Giants, ali mesmo em Nova Jersey. Depois de falar sobre crianças, solidariedade e amor, Pelé disse “love”, três vezes, e pediu que a plateia repetisse com ele. A multidão, em coro, repetiu.
A homenagem a Pelé no Mundial de 2026 foi importante.
Este ano foi disputada a primeira Copa desde a morte do Rei, em dezembro de 2022, e nunca antes seu legado e sua carreira passaram por um escrutínio tão severo. Diversos recordes seus foram derrubados e até o posto de melhor jogador de futebol do mundo foi contestado.
Seria Messi o novo Rei? Isso soa até estranho frente à carreira daquele menino pobre, preto, do interior do Brasil, que parou guerras e decretou “feriado” em dias de jogo; que fez reis, rainhas, presidentes e personalidades da política, do esporte, da cultura e do cinema se postarem à sua frente; e que, de quebra, entornou defesas, endoidou goleiros e somou 1.283 gols, tornando-se, até hoje, o maior artilheiro da história.
Love, love, love…
Em 1977, na partida que reuniu os dois únicos clubes defendidos profissionalmente por Pelé, o Rei jogou o primeiro tempo com a camisa verde do New York Cosmos, marcou um gol de falta e voltou para a etapa final com a camisa branca do Santos. No placar final, Cosmos 2 a 1. Mas isso, convenhamos, é um detalhe. O que ficou foi a festa e a mensagem de amor, repetida agora, quase 50 anos depois.
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Ao ver a cena deste domingo, na final da Copa, lembrei de Caetano Veloso.
Fiel ao seu estilo de usar temas do cotidiano e da cultura pop em suas músicas, o bom baiano se inspirou no triplo “love” do Rei para lançar, em 1978, a canção “E Pelé disse love, love, love”, que integra o álbum “Muito”, um dos mais singelos e criativos de sua carreira.
“Eu canto no ritmo, não tenho outro vício / Se o mundo é um lixo, eu não sou / Eu sou bonitinho, com muito carinho / É o que diz minha voz de cantor / Por nosso Senhor // Meu amor, te amo / Pelo mundo inteiro eu chamo / Essa chama que move / Pelé disse / Love, love, love”, diz o primeiro trecho da canção, que fala de brasilidade, esperança e desigualdade.
A Copa em que o Brasil naufragou no campo terminou com um brasileiro no telão, dando, em inglês, um recado que tem tudo a ver com a gente: amor. Seja pela bola, seja pela arte, seja pela vida.
Segue o baile…