No último dia 19 saiu a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró-Livro (IPL). Para surpresa zero, os dados são aterrorizadores. Nos últimos quatro anos, houve uma redução de 6,7 milhões de leitores no país.
Pela primeira vez na série histórica da pesquisa, a proporção de não-leitores é maior do que a de leitores na população brasileira: 53% das pessoas não leram nem parte de um livro – impresso ou digital – de qualquer gênero, incluindo didáticos, bíblia e religiosos, nos três meses anteriores à pesquisa.

Com um questionário com mais de 140 questões, respondidas por mais de 5 mil entrevistados de todo o país, nessa edição entrou o uso do termo ‘tempo livre’. E claro, o interesse pelos meios digitais “rouba” o tempo do livro.
No livro “A Economia Da Atenção”, Thomas H. Davenport e John C Beck, descrevem a importância do tráfico de Internet que dobra a cada cem dias, e nos dão boas-vindas à economia da atenção em que o novo recurso escasso não são ideias ou nem mesmo talentos, mas a própria atenção. Este livro pioneiro argumenta que os negócios de hoje estão fadados ao desastre – a menos que sejam capazes de superar o déficit de atenção altamente perigoso que ameaça embotar os atuais ambientes de trabalho.
Leia também: O que não escrevi nesses quinze dias
“Milhares de empresas, que não têm nada a ver com livros ou com a mídia, descobriram como ganhar muito dinheiro ‘roubando’ nosso tempo. Elas têm uma ideia muito clara de quanto vale o tempo das pessoas, o que gostariam de fazer com ele e, o mais importante, têm uma incrível variedade de ferramentas e táticas para obtê-lo e capturá-lo. Por mais que olhemos para a Amazon como concorrente, também devemos nos concentrar na Netflix, Facebook, Instagram e YouTube” (in post CERLALC – Centro Regional para o Fomento do Livro na América Latina).
Sem falar da importância dos influenciadores. Antes dessa edição da pesquisa, mães e professores eram os que despertavam o gosto pela leitura. Agora, os influenciadores digitais começaram a ser lembrados.
Surgem novas questões que devem ser analisadas. As autopublicações foram mencionadas? Os produtores de conteúdos ou de narrativas, podem afastar os leitores e corromper o ecossistema de produção de livro? É mais uma crise para o mundo livreiro? Editores vão ter de se virar nos trinta, para garantir a sobrevivência?
Aguardemos
“O repertório de atividades culturais, sociais, na internet e até a prática de esportes, é mais diversificado e frequente entre leitores, o que pode contribuir para ampliar a visão de mundo e oportunidades sociais e profissionais”, reflete Zoara Failla, que assina o artigo:
Para quem é leitor e gosta de mergulhar em universos diferentes, vai uma dica:
No #clubedolivrodaofício, do dia 26 de novembro, às 19 horas (online e gratuito), vamos discutir a obra A Vegetariana de Han Kang, autora coreana, premiada com o Nobel de Literatura 2024.
A Todavia lançou também, no Brasil, O Livro Branco e Atos Humanos. Valem cada segundo de imersão!

Título: A Economia da Atenção
Autores: Thomas H. Davenport e John C. Beck
Editora Campus
Você pode ler a pesquisa aqui:
https://www.prolivro.org.br/wp-content/uploads/2024/11/Apresentac%CC%A7a%CC%83o_Retratos_da_Leitura_2024_13-11_SITE.pdf
Acompanhe também: