A disputa pela Prefeitura de São José dos Campos é a prova cabal de que política é mesmo como nuvem: você olha, está de um jeito; olha de novo, já mudou.
Ponto para Magalhães Pinto, autor da frase.

No caso de São José, basta olhar o mapa meteorológico: antes do início oficial da campanha, Eduardo Cury (PL) liderou as pesquisas, evitou confronto direto com os outros candidatos no debate da TV Band Vale e perdeu fôlego, permitindo a recuperação de Anderson Farias (PSD).
Na abertura do horário eleitoral de rádio e TV, Cury partiu para o ataque, tentando recuperar terreno, levou Anderson às cordas com a questão do “calote” e recuperou espaço.
Tão logo as pesquisas de intenção de voto apontaram isso, o candidato do PL passou a tentar administrar a vantagem, a duas semanas das eleições. Se deu mal: Anderson deu um triplo twist carpado, recalculou a rota, trouxe artilharia pesada para a campanha e terminou o primeiro turno das eleições com 39,66% dos votos. Cury somou 25,96%. Um vaivém danado…
E agora?
Agora, Anderson larga em vantagem neste segundo turno, graças aos votos conquistados dia 6 de outubro e à aprovação do governo, considerado ótimo e bom para 50% do eleitorado. Na avaliação da campanha do PSD, o eleitor só começou a prestar atenção na eleição na reta final do primeiro turno.
Além disso, Anderson tinha um grau de conhecimento ainda baixo junto ao eleitorado, apesar de estar no cargo há 1 anos e meio. Com a campanha, o eleitor passou a associar a gestão ao candidato e deu “match”. Será?
Pelo sim, pelo não, portais de notícias dão conta de que Anderson pode não ir ao debate da Band neste segundo turno, marcado para o dia 16 de outubro, para evitar ataques e desgaste. Se não for, vai cometer uma bobagem. Já disse e repito: fuja de candidato fujão. Candidato que acha que não deve esclarecimentos ao eleitor não merece crédito.
E Cury? Bem, agora é a hora do PL/PSDB recalcularem a rota. Vai dar tempo? A meu ver falta à campanha PL/PSDB simplificar o discurso, ser mais direta, traduzir, afinal, porque o eleitor deve optar por Cury e não por Anderson.
Tempo igual da TV ajuda, mas é fundamental ter o que dizer e, mais importante ainda, saber como dizer, seja na TV, nas redes ou nas ruas. Vamos esperar para ver. Esta é a eleição mais disputada em São José dos Campos nas últimas décadas e muita água ainda vai passar por debaixo da ponte.
Ou, para seguir Magalhães Pinto, as nuvens ainda podem nos trazer muitas surpresas. Basta soprar um vento noroeste.
Segue o baile…
Uma outra boa leitura: Criadores, criaturas & outros seres fantásticos
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