Nada como um dia depois do outro com uma noite de permeio…
Veja só: as pesquisas de intenção de voto acabaram virando vítima das próprias pesquisas de intenção de voto neste primeiro turno das eleições municipais.
Ficou confuso? Vou explicar…
Teve número para todos os gostos e tendências, teve veículo de imprensa fazendo mágica para dizer que acertou, teve candidato dizendo que “disparou” sem ter “disparado” coisa nenhuma e teve pesquisa de véspera que ficou parecendo João marcando Mané Garrincha: de bunda no chão vendo o camisa 7 sair com a bola dominada pelo outro lado.
Em resumo, expectativa demais, resultado…
Tudo isso para nos lembrar de um detalhe importante: pesquisa é pesquisa, uma fotografia rápida de um determinado momento, um retrato de tendências; nunca, repito, nunca um Norte absoluto. Sabe por quê? Ora, porque a realidade é mais complexa e dinâmica do que boa parte das pesquisas consegue revelar.
Veja o caso das pesquisas Ipec/Vanguarda, divulgadas na noite de 5 de outubro, poucas horas antes das urnas serem liberadas à votação.
Em São José dos Campos, o Ipec apontou Anderson Farias (PSD) com 30,31% das intenções de voto, em condições de empate técnico com Eduardo Cury (PSDB), que teria 26,9%, levando em conta a margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.
Nas urnas, Anderson teve 39,6%, mais de 9 pontos percentuais acima do índice do Ipec e 13,7 acima de Cury. Noves fora, bem além da margem de erro.
Em Taubaté, mais um drible de Mané. Na pesquisa de véspera, Ortiz Junior (Republicanos) surgiu na liderança, com 41,39%, seguido de um triplo empate técnico: Marcia (PL), com 17%, Sergio Victor (Novo), com 15%, e Loreny Caetano (Solidariedade), com 14%.
As urnas revelaram Ortiz com 36,2% dos votos, Marcia com 21,56% e Loreny com 15,8%. Além da oscilação negativa de Ortiz, a surpresa das urnas foi Sergio Victor, que acelerou na reta final, chegou a 23,5% dos votos e garantiu vaga no segundo turno. O Ipec não registrou a tendência de alta do candidato do Novo. Qual a explicação?
Volto a insistir, pesquisa é pesquisa. Muitas vezes, movimentos subterrâneos do eleitorado não aparecem no radar das pesquisas de forma clara.
Na trave

Lembro da última eleição municipal em que atuei como editor-chefe de jornal. Na rodada final, a pesquisa, feita na quinta e sexta-feira, apontava vitória larga de Carlinhos Almeida (PT) em cima de Alexandre Blanco (PSDB) no primeiro turno nas eleições de 2012, em São José dos Campos.
No sábado, uma “mega blitz” capitaneada pelo PSDB e pelo PSD (do então candidato a vice-prefeito, José Luís Nunes) varreu a região sul e deu fôlego novo à candidatura tímida de Blanco.
Resultado, a folga de Carlinhos encolheu drasticamente e quase levou para o buraco a manchete do “Vale”, calcada na pesquisa de quinta e sexta-feira. No domingo, Carlinhos levou no primeiro turno, mas por pouco, muito pouco, pouco mesmo.
A realidade é dinâmica. E está ficando cada vez mais acelerada. Não custa nada lembrar isso ao eleitor quando uma pesquisa, qualquer uma, de qualquer veículo e qualquer instituto, for divulgada.
Segue o baile…
Para entender o contexto: Criadores, criaturas & outros seres fantásticos
Acompanhe também: