Treino é treino, jogo é jogo, já dizia Didi, capitão da Seleção Brasileira na Copa de 58, na Suécia, no primeiro Mundial vencido pelo Brasil. A frase serve como uma luva para explicar como devem ser analisadas as pesquisas eleitorais: pesquisa é pesquisa, um retrato do momento.
Elas são como nuvens, podem mudar. Basta soprar um vento noroeste.

Dito isso, vamos dar uma olhada nos números divulgados pelo Grupo Band Vale sobre a corrida eleitoral em São José dos Campos, com base em dados da Paraná Pesquisas. Na tabela que interessa, o ex-deputado Eduardo Cury (PL) nada de braçada, com 37,9% das intenções de voto, bem à frente do prefeito Anderson Farias (PSD), com 21,1%. Nem esticando no limite extremo a margem de erro da pesquisa (3,8 pontos), eles ficam próximos. Depois surgem Doutor Élton (União Brasil) com 11,3%, Wágner Baliero (PT), com 7,4%, Marina Sassi (PSOL), com 3,9%, Toninho Ferreira (PSTU), com 2,11%, e Wilson Cabral (PDT), com 0,7%. Na rejeição, quesito liderado por Baliero (23,4%), Cury tem 19,9% e Anderson, 16,6%. Pertinho.
Batendo tudo isso no liquidificar, o que dá?
Dá que a eleição, confirmados esses nomes, vai ser um tira-teima entre grupos políticos nascidos do mesmo berço, o PSDB de Emanuel Fernandes. Claro, Doutor Élton, Baliero e os outros candidatos vão brigar para sair dessa sinuca de bico. Mas, se não tiver uma surpresa pela frente, a eleição de outubro caminha para ser um embate clássico entre criador e criatura, opondo, Cury e Emanuel, de um lado, a Anderson e o vice-governador Felicio Ramuth (PSD), de outro. Quem ganha? Se a briga fosse hoje, segundo os números da Band, os criadores.
Cauteloso, Cury joga parado, se preserva, adiando, ao máximo, a definição sobre sua candidatura. Emanuel? Segue com sangue nos olhos após a manobra que desossou o PSDB de São José dos Campos, orquestrada por Gilberto Kassab e implantada por Felicio. Felicio? Ah, ele vai ter que desembarcar de mala e cuia na cidade para tentar evitar uma derrota vexatória nas urnas. E Anderson?
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Bem, Anderson merece uma análise mais detalhada. Anderson tem a máquina e confia nela. Aliás, máquina montada desde os tempos de Emanuel e Cury. Basta? Até aqui, ele tem é patinado e muito. Com o governo aprovado por 70% do eleitorado, Anderson tem 21,1% na pesquisa da Band. Sinal que governo e governante estão descolados. Mais: de olho no voto conservador, Anderson tem apostado em uma pauta de costumes que, se rende likes nas redes sociais, não tem rendido avanços no mundo real. Ele é prefeito, não “xerife”. Pior: com Cury no PL, ele perde o apoio potencial do ex-presidente Jair Bolsonaro. Se continuar assim, nem reza brava, nem lives com gato vão resolver.
Vai surgir um vento noroeste? Como cantava Virginie, do antigo grupo Metrô, no balanço das horas, tudo pode mudar. De certo, após a divulgação dos números da Band, a “tropa” de choque digital de Anderson, sempre ela, previsível, foi às redes para criticar Cury. Passou recibo.
Segue o baile…
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