Foi sancionada por lei municipal a criação do Instituto das Artes de São José dos Campos, formado por uma Escola de Artes Plásticas e uma Escola de Música (nível médio e superior). A lei n° 1516 é de 24 de setembro de 1969 e foi promulgada há 55 anos pelo então prefeito Elmano Ferreira Veloso.
Já havia na cidade a Escola de Belas Artes (EBA) do Vale do Paraíba, dirigida desde 1962 pelo pintor holandês Johann Gütlich, a convite do ex-prefeito Elmano Veloso. Esta Escola, um marco do pioneirismo cultural da cidade, seria englobada no Instituto de Artes, como aponta a lei.
Infelizmente, os tempos eram outros e a lei não foi executada pelo prefeito nomeado Sérgio Sobral de Oliveira, que também destituiu o Conselho Municipal de Cultura. Este fato explica em parte alguns porquês sobre a cidade não ter ainda uma instituição pública de ensino de artes, à altura de sua importância e projeção.
Digo em partes porque o que justifica, atualmente, que uma cidade rica e de referência no cenário tecnológico e industrial não tenha também excelência na formação em artes, como vislumbrou Elmano Veloso, há 55 anos?

Em tempos de eleição gostaria de chamar a atenção dos futuros ocupantes da casa legislativa, e do executivo, para este tema crucial na promoção da cidadania e acesso à cultura: investir em projetos culturais de formação (no mínimo em nível técnico), de longo prazo, e de excelência.
Projetos de formação continuada em artes educam, criam espírito de equipe, geram disciplina, concentração, desenvolvem a inteligência, a criatividade e múltiplas habilidades motoras e comunicacionais, trazem inúmeros benefícios à saúde, e democratizam o acesso ao conhecimento. Todos ganham.
Temos artistas, educadores e gestores culturais com currículos e trajetórias excelentes na cidade, em várias frentes artísticas (artes plásticas, música, dança e teatro). E já temos aqui projetos seminais e públicos de formação livre em artes (como a Companhia de Dança de São José dos Campos, o Coro Sinfônico e a Orquestra Joseense, implantados pela Fundação Cultural Cassiano Ricardo). Mas podemos avançar, e muito mais.
Por que não criar o Instituto de Artes para cursos técnicos, atualizado para os modelos atuais de gestão pública, com possível participação do poder privado? Há importantes exemplos de fundações que trabalham desta forma e que alcançam resultados excelentes em formação.
Por que não oferecer cursos de bacharelado em artes realizados por uma Universidade pública em São José dos Campos? O que é preciso ser feito para que a Unesp (Universidade Estadual Paulista), por exemplo, amplie sua área de atuação na cidade, trazendo sua excelência em artes e pesquisa?
Você pode gostar de ler: Mãos para criar, espírito para educar: conheça Claudia Paranhos
Nossos inúmeros jovens talentos buscam por oportunidades para se desenvolverem e se profissionalizarem aqui, mas encontram apenas as primeiras portas abertas. Acabam desistindo, ou fazem bacharelados online (EAD), ou migram para outras cidades que oferecem os próximos passos profissionalizantes.
Uma cidade como São José dos Campos não poderia implantar projetos culturais com a mesma competência em que se destaca em outras áreas? Por tudo que sei e realizo na cidade, sim, pode. Temos todos os mecanismos para isso, precisamos unir poder público, privado e o terceiro setor. Sejamos mais ambiciosos.
Podemos contar com esta pauta na câmara e no executivo em 2025?
Tem algum assunto que te intriga sobre a música? Mande uma sugestão nos comentários! Até a próxima!
Dicas da Dra.
Venha visitar a exposição “Gütlich – entre mundos” que homenageia o centenário do pintor holandês Johann Gütlich, um dos fundadores da Escola de Belas Artes que funcionou em São José dos Campos de 1962 a 1970.
- Local: Museu Municipal de São José dos Campos – Praça Afonso Pena, n° 29 – Centro;
- Gratuito;
- Até 30 de novembro de 2024.
Outra leitura relacionada: A inovação do criar tem memória em São José dos Campos
Acompanhe também:


Seria incrível, há profissionais capacitadíssimos, público, espaço.
A cidade merece