
A notícia que eu nunca imaginava dar foi guardada a sete chaves até este dia em que comemoramos o Dia Nacional do Choro: 23 de abril. A data é atribuída ao nascimento do nosso São Pixinguinha, um dos maiores músicos deste país, e marca as comemorações por todo o território nacional, e também o internacional.
Mas vamos por partes, primeiro quero falar deste incrível ser, o Alfredo da Rocha Vianna Filho – o Pizindim, Pixinguim, e finalmente Pixinguinha – que nasceu em 04 de maio de 1897, no Rio de Janeiro, e faleceu nesta cidade em 17 de fevereiro de 1973. Sua música, sua genialidade, sua generosidade e simpatia conquistaram o Brasil e o mundo. É até difícil encontrar algum país ocidental que não tenha um clube de Choro. E mesmo no Japão há chorões.
Pixinguinha foi imenso. Além de exímio flautista e saxofonista, foi grande compositor, orquestrador e arranjador. Sintetizou como ninguém a alma brasileira do início do século XX, e liderou vários grupos de sucesso, entre eles o “Oito Batutas”, que projetou o Brasil e encantou a mais bela e boêmia cidade das luzes…Paris.
Suas obras foram gravadas, regravadas, arranjadas infinitas vezes, e continuam vivas em cada roda de Choro, aqui em São José dos Campos, e em cada chorão e chorona deste mundão. Porque São Pixinguinha é o melhor remédio para todas as horas, e onde estiver!
Uma partitura de Pixinguinha em São José dos Campos
Desde janeiro deste ano, o Centro de Documentação Musical de São José dos Campos preserva um acervo de partituras de grandes nomes do Choro do Rio de Janeiro, do início do século XX. Entre várias Polkas, Valsas, Schottisches, Tangos Brasileiros e autores praticamente desconhecidos despontam dois gigantes: Cândido Pereira da Silva (o Candinho) e… Pixinguinha! Isso mesmo, o CDM SJC tem a maior alegria em celebrar com vocês esta grande notícia: para além do Instituto Moreira Salles, da Casa do Choro, e do Instituto Jacob do Bandolim, o Centro de Documentação Musical de São José dos Campos está entre as poucas instituições não públicas deste país que preservam manuscritos de nossos gênios do Choro

E como nem tudo é alegria… apesar da importância e reconhecimento do CDM SJC, estamos sobrevivendo com dificuldades… somos um projeto independente, sem recursos garantidos… cada um e cada uma que se soma, como pode, ajudará a colocar nosso patrimônio cultural no altar que ele merece!
Que São Pixinguinha nos ajude e nos proteja! Viva o Choro!
Raquel Aranha
Pós doutorado em Musicologia (Unesp), Doutora e Mestre em música (Unicamp), estudou na Real Academia de Bellas Artes de San Fernando (Madri), Bacharel em Violino Barroco (Conservatório Real de Haia/Holanda), especialista em Dança Barroca e Bandolinista. Também é bióloga, (Unicamp), e se dedicou à ornitologia. Desde 2020 preside a SOCEM (Sociedade de Cultura e Educação Musical de São José dos Campos), e em 2022 fundou o CDM SJC (Centro de Documentação Musical / SJC) no Parque Vicentina Aranha, para a preservação de Patrimônio Musical Brasileiro.
Dicas da Dra.
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– Para saber mais sobre o mestre: https://pixinguinha.com.br/vida/
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