
Vamos começar o ano com uma linda notícia? Desta vez, o cenário é a missa de celebração da inauguração da Capela do então Sanatório Vicentina Aranha, ocorrida em outubro de 1935.
Christian D., músico e pesquisador do Centro de Documentação Musical de São José dos Campos (CDM SJC), localizado no próprio parque, encontrou informações preciosas em pequenos recortes do Correio Paulistano, de 17 e 20 de outubro de 1935, já disponibilizados para consulta no Mapa Musical SJC.
No dia 17, vemos a notícia sobre a inauguração da capela. E, no dia 20, a notícia que detalha a missa de inauguração, celebrada nessa data (veja os registros abaixo).


Por que músicas de Lorenzo Perosi e Joaquim Capocchi foram executadas na inauguração da capela?
Pesquisando sobre Lorenzo Perosi (1872–1956), encontramos que nasceu em Tortona (região de Piemonte, na Itália), em uma família religiosa e musical. Foi clérigo e compositor de música sacra, muito conhecido e respeitado em seu país.
Lorenzo estudou no Conservatório de Milão, foi mestre de capela na Basílica de São Marcos, em Veneza, e posteriormente “Maestro Perpétuo” da Capela Sistina, em Roma, segundo a Wikipedia.

Já Joaquim Capocchi (1872–1958) — em italiano, Gioachino Capocchi — não era religioso, mas tinha conexão com os salesianos, além de ter dirigido a Banda Musical “Casa de Savóia”, em São Caetano do Sul, fundada por ele e mantida pela Società di Mutuo Soccorso Principe di Napoli.
Ambos compositores estavam alinhados à Restauração Musical Católica da primeira metade do século 20, que propunha o motu proprio, ou seja, acompanhamento instrumental de órgão ou harmônio que se limitava a sustentar as vozes, sem características de ópera ou música sinfônica, mais próximas do cantochão e da música polifônica, segundo o Dr. Fernando Lacerda Simões Duarte, musicólogo e pesquisador da Universidade Federal do Pará (UFPA).
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A restauração estabeleceu órgãos que validavam (ou não) o repertório musical que poderia ser executado, e as obras como “O Cor Jesu” e “Laudate Dominum”, ambas de Perosi, foram aprovadas pela Comissão Arquidiocesana de Música Sacra do Rio de Janeiro.
Refazendo a missa
O CDM SJC localizou as obras executadas e propôs à capela do atual Parque Vicentina Aranha que a missa fosse refeita. Vamos torcer para que essa memória musical ganhe vida novamente e reviva a história musical da cidade!
Dicas da Dra.
Conheça o Mapa Musical SJC, uma base de dados aberta à pesquisa sobre a história musical da cidade, compreendendo um arco de mais de 100 anos.
O levantamento foi feito pelo Centro de Documentação Musical, um projeto independente, coordenado pela musicóloga Dra. Raquel Aranha, realizado por meio de parceria entre a SOCEM (Sociedade de Cultura e Educação Musical) e a AFAC (Associação para o Fomento da Arte e Cultura), entidade gestora do Parque Vicentina Aranha.
Uma outra grande descoberta do CDM: encontrada a partitura mais antiga de SJC!