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    Itavema Geely Itavema Geely

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    ESG na Prática

    Quando o alerta é vermelho até no Ketchup: o clima em crise

    18 de agosto de 2024Updated:19 de agosto de 2024Nenhum comentário6 Minutos de Leitura
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    Imagine a cena: você vai à sua hamburgueria favorita e se depara com o fato de ter que pagar pelo ketchup, ou visita sua pizzaria de costume e percebe que o tomate, e não o presunto de parma ou outro ingrediente importado, é o principal responsável pela alta no valor da pizza. Antes de culpar qualquer governo pela inflação, vale a pena refletir sobre o verdadeiro vilão por trás desses aumentos — o impacto das mudanças climáticas na produção agrícola global.

    O tema pode até parecer repetitivo e incômodo, mas a verdade inconveniente precisa ser dita, escrita e exposta quantas vezes forem necessárias.Como defensor das práticas ESG, peço a licença do leitor para trazer à tona mais fatos sobre esses novos e intensos tempos que estamos vivendo.

    Tomates
    (Créditos: ResetNews/Bloomberg)

    Já sabemos que nos últimos anos, os eventos climáticos extremos têm se intensificado, causando um impacto direto na produção agrícola e, consequentemente, na disponibilidade de alimentos. Já comentei que a mostarda Dijon na França e a crise do azeite de oliva na Espanha, porém agora, o ketchup Heinz, um ícone nos Estados Unidos, pode ser a próxima vítima.

    Os tomates utilizados pela Heinz nos EUA são cultivados exclusivamente na Califórnia, que enfrentou o julho mais quente de sua história, com temperaturas médias de 27,6ºC e picos de 38ºC em algumas regiões. Esse calor extremo, segundo especialistas consultados pela Bloomberg, provavelmente afetará as plantações, mas a extensão do dano só será conhecida em outubro. Estimativas iniciais sugerem perdas que podem chegar a 20% das culturas.

    A Heinz, que produz 660 milhões de unidades de ketchup anualmente, sendo 300 milhões somente nos Estados Unidos, vê a situação como um desafio para suas operações. A empresa investiu significativamente no HeinzSeed, seu centro de pesquisa, para desenvolver sementes mais resistentes ao calor, à seca e à salinização do solo. Atualmente, estão sendo testadas 800 variantes de tomates, um investimento que quintuplicou nos últimos cinco anos.

    A adaptação das plantas às novas condições climáticas é um processo natural, mas o ritmo acelerado das mudanças no clima exige uma intervenção científica para acelerar esse desenvolvimento. A Heinz não é a única empresa nessa corrida: a Nestlé, por exemplo, recentemente apresentou uma nova variedade de café resistente a doenças e com maior produtividade, desenvolvida no Brasil ao longo de dez anos.

    Esses esforços se alinham com iniciativas internacionais, como o programa ‘Seeds in Space’ da FAO e AIEA, que testa a resistência das sementes em condições extremas no espaço. Além disso, mudanças na localização das áreas de produção estão sendo estudadas para culturas como o cacau, que enfrenta desafios na África Ocidental e encontra no Brasil uma nova oportunidade de crescimento.

    Mas os fatos não param por aí, em Phoenix no Arizona, o calor é um desafio constante: no ano passado, a cidade experimentou 31 dias consecutivos com temperaturas acima de 43°C. Por isso, a uma escola começou a comprar coletes de resfriamento carregados com pacotes de gelo para seus professores usarem durante a saída diária dos alunos.A escola agora possui mais de 30 desses coletes.

    Os coletes de gelo da Escola Primária Paideia são apenas um exemplo das adaptações necessárias em um mundo em aquecimento.

    Este ano está prestes a ser o mais quente de todos os tempos, deixando sistemas, serviços e infraestruturas lutando para funcionar. As altas temperaturas têm derretido estradas, sobrecarregado redes elétricas e causado a morte de milhares de pessoas. Elas também estão forçando uma reavaliação das atividades mais rotineiras, como escolher uma roupa, fazer compras ou simplesmente dormir.

    Além disso, a demanda por ar condicionado tem crescido globalmente. Em 2023, o mercado residencial de ar-condicionado cresceu quase 10%, com as vendas aumentando mais rapidamente no Oriente Médio e em partes da Ásia, como a Índia.No Reino Unido, onde menos de 5% das casas tinham ar condicionado entre 2013 e 2019, esse número também está crescendo.

    As cidades, que já são mais quentes que as áreas circundantes devido ao efeito de ilha de calor urbana, enfrentam desafios adicionais na adaptação ao calor extremo. Em alguns casos, estratégias de adaptação incluem a criação de pequenos “bosques” urbanos, como em Amã, na Jordânia, para ajudar a refrescar o ambiente e fornecer refúgios ecológicos para espécies nativas.

    Em nossa região do Vale do Paraíba, estamos sentindo essas mudanças de forma clara, com temperaturas que permanecem entre 29°C e 31°C por semanas, cerca de 5°C acima da média normal dos últimos anos em pleno inverno.

    Leia também em ESG Na Prática:

    • Ameaça Invisível: Como a má gestão pode secar nossos recursos hídricos
    • O verão no inverno: a urgência de ações sustentáveis
    • As marés avançam: o Sertão vai virar mar? País digital?

    Práticas ESG

    Esses exemplos ressaltam a urgência de desenvolvermos estratégias de adaptação e resiliência climática, especialmente nas áreas urbanas, que são as mais impactadas pelo aquecimento global.

    Na coluna “ESG na Prática”, costumo discutir esses temas porque é crucial que todos compreendam a importância da conscientização — não só empresas e governos, mas também as comunidades, que estão na linha de frente enfrentando essas condições extremas.

    Precisamos olhar com atenção para nossas nascentes e rios, implementar políticas governamentais de plantio de árvores, adotar soluções como as cidades-esponja (cidades projetadas para reter água da chuva, prevenindo enchentes e inundações), etc., pois são ações de curto prazo essenciais que devemos colocar em prática.

    Na semana passada, escrevi sobre a importância da gestão hídrica como uma proteção estratégica essencial para a sobrevivência do nosso planeta e das futuras gerações.

    Quando unimos os dois temas — o calor extremo e a falta de uma gestão eficaz dos recursos hídricos — percebemos que estamos caminhando em direção a um futuro preocupante. Sem ação imediata, e planejamento a longo prazo, corremos o risco de enfrentar consequências devastadoras.É um chamado para que todos nós, individual e coletivamente, atuemos antes que seja tarde demais.

    Essas adaptações não só ajudam a proteger a saúde e o bem-estar das pessoas, mas também são fundamentais para garantir que as cidades e suas infraestruturas possam suportar os desafios futuros impostos pelas mudanças climáticas. Portanto, abordar essas questões através de uma lente ESG pode não apenas mitigar riscos, mas também criar novas oportunidades para um desenvolvimento mais sustentável e resiliente. Sonho com o dia em que escrever sobre a crise climática seja desnecessário, quando finalmente teremos superado esses desafios e poderemos desfrutar de um futuro com dias mais amenos e tranquilos.

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    * A opinião dos nossos colunistas não reflete necessariamente a visão do portal spriomais.

    Luís Magalhães

    Luís Magalhães

    Luís Fernando Carneiro Magalhães é co-fundador e sócio-diretor da srtatup joseense O2eco Tecnologia Ambiental, cujo objetivo é deixar um impacto positivo no meio ambiente. Estudou Agronomia na UFFRJ e Business & Marketing na Universidade Católica da Austrália e na Universidade de Canberra.
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