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    Você está em:Início » Temos muito cinema gratuito por aqui, com clima de cineclube
    + Arte na Cidade

    Temos muito cinema gratuito por aqui, com clima de cineclube

    4 de agosto de 2024Nenhum comentário5 Minutos de Leitura
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    Nos tornamos todos diretores de imagens e sons, criamos vídeos e até publicamos. Inúmeras plataformas trouxeram o cinema para dentro de casa. Tudo isso para dizer que o cinema na tela grande, com todas as suas transformações, ainda exerce grande fascínio.

    São José dos Campos, por exemplo, tem uma cena nova de cinemas: salas equipadas com projetores de alta qualidade em espaços culturais independentes, algumas com gostinho de cineclube. Cada sala tem uma agenda própria, incluindo filmes infantis com direito a pipoca. E todos com sessões gratuitas.

    Único frame (quadro) colorido sobrevivente de Le Voyage dans la Lune (1902), de Georges Méliès.
    Único frame (quadro) colorido sobrevivente de Le Voyage dans la Lune (1902), de Georges Méliès (Créditos: Reprodução)

    Mostra Mercosul

    É o caso do Cine Clube da Cia Velhus Novatus que tem origem e forte presença cultural no bairro de Santana, realizando além de várias oficinas uma itinerância com filmes por outros bairros onde não existem cinema. Numa programação pra lá de especial, em agosto eles apresentam a Mostra Mercosul de Audiovisual – ciclo infantil em parceria com o Minc. Integração cultural e acesso a conteúdos audiovisuais para crianças de todas as idades.

    São curta-metragens da Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. Veja a programação completa em @ciavelhusnovatus no instagram.

    Esta característica itinerante, aliás, é seguida pelo Cine no Ponto, projeto do Cineclube Bola de Meia, que tem sede no bairro Vila Rubi.

    O CinEva recém inaugurado está localizado no Jardim da Granja e tem uma agenda disputada com as apresentações teatrais que acontecem na sede da Cia de Teatro da Cidade.

    A Literacia Livraria Sebo e Cia também manteve um Cineclube entre suas prateleiras aconchegantes de livros.

    O Cine Santana, um dos espaços culturais da Fundação Cultural Cassiano Ricardo (FCCR), apresenta uma agenda de filmes, além de todas as oficinas e espetáculos, em parceria com o MIS (Museu da Imagem e do Som).

    Leia mais: Produção de arte a todo vapor em São José. Já a distribuição…

    Oui, Oui

    Na última quarta-feira de cada mês a Aliança Francesa de São Jose dos Campos apresenta no Museu Municipal um filme francês com legendas em português seguido de debate.

    O Parque Vicentina Aranha tem algumas sessões ao ar livre em uma telona, dependendo do evento que acontece. (E da chuva)

    As grandes salas de cinema mudaram, os filmes não são mais em películas que rodam nas grandes engrenagens e as distribuidoras se relacionam com os cinemas via satélite. Os cinemas tem antenas parabólicas para receberem os sinais. Nada passa pela internet.

    As salas devem ter computadores super potentes para receberem os arquivos criptografados. As telonas são todas furadinhas para não vibrarem com o som e recebem as projeções de três canhões de laser.

    Papo de cineclube, depois da sessão

    Os Cineclubes e os cinemas de rua, além do divertimento e emoção nos permitem refletir, trocar ideias depois das apresentações. Podemos comentar com outras pessoas sobre nossas percepções. Sobre a história, a estética, as referências, a fotografia, direção, atores etc.
    Uma experiência que resulta na difusão e formação de plateias críticas para o cinema.

    O Minc (Ministério da Cultura) lançou recentemente a cartilha Cinema perto de todos, cineclube em todo lugar! A publicação reúne informações sobre a história do cineclubismo no Brasil e como organizar um cineclube, desde a escolha do espaço até a seleção de filmes e a realização de debates.

    E você, se anima a organizar um cineclube no seu bairro ?
    Segue o link da cartilha https://www.gov.br/cultura/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/cartilha-cineclubes-2/cartilha-cineclubes.pdf

    História do cinema

    Nascido em 1895 na França e elevado a Sétima Arte em 1913 o cinema era essencialmente espetáculo. Eram cenas documentais, figuras humanas de corpo inteiro, câmara fixa com cenas de rua e trens chegando na estação.

    Diante deste cenário alguém que amava os livros e tinha feito teatro amador pensou que poderia fazer algo melhor com tamanha invenção.

    Assim, logo em 1896, um curta metragem denominado A Fada do Repolho, considerado inicialmente uma ideia boba, foi filmado por uma secretária de apenas 23 anos, Alice Guy-Blaché.
    Considerado o primeiro filme narrativo da história do cinema, seguido de outra polêmica produção As consequências do feminismo, uma sátira de 1906 onde os papéis femininos e masculinos são invertidos, a cineasta sofreu um apagamento na história do cinema.

    Muda-se para os Estados Unidos em 1910 e, em 1912, trabalha uma produção com elenco todo de atores negros. Não lhe faltou coragem e determinação.
    (https://arteaberta.com/alice-guy-blache-a-invencao-do-cinema-de-ficcao-e-o-apagamento-de-sua-criadora/)

    No início, a magia da imagem em movimento com músicos ao vivo, depois o cinema mudo, seguido da chegada das cores nas telas e a revolucionaria era digital.

    Cinéma du Peuple

    Um sistema personalizado. A indústria cinematográfica se mantém em constante evolução, movimentos, tendências e mesmo assim uma forma nascida em 1912 na França denominada Cinéma du Peuple, considerado o primeiro Cine Clube, continua ativa.

    Parte da história do próprio cinema, o cineclubismo, reúne amigos e apreciadores em local mais tranquilo onde podem depois trocar suas impressões sobre o que assistiram.

    O primeiro cineclube brasileiro foi o Chaplin Club, que manteve sua programação regular de 1928 a 1931, no Rio de Janeiro.

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    * A opinião dos nossos colunistas não reflete necessariamente a visão do portal spriomais.

    Pitiu Bomfin

    Pitiu Bomfin

    Artista plástica, curadora e educadora. Formada em Desenho Industrial pela FAAP / SP com pós graduação em Artes Plásticas pela ECA/USP e estudos em Arquitetura.
    Realiza trabalhos de curadoria além de cenografias e figurinos para grupos de teatro.
    Sua pesquisa artística envolve a fotografia, a pintura e processos gráficos muitas vezes utilizando referencias icônicas da historia da arte.
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