Uma das coisas de que mais gosto é saber novas palavras, novos sentidos, conexões e causalidades. Na semana que passou, não deu tempo (perdão) de escrever a crônica. Cabeça ocupada não trabalha, dizia minha avó. Não escrevi, mas observei o entorno, com todos os sentidos, pode acreditar. E aprendi novas designações para comportamentos conhecidos há milhares de décadas. Vamos lá.

Imagine que conheça alguém (talvez nos sites de relacionamentos), falam-se por mensagens todos os dias, vão ao cinema, saem para jantar etc. Um belo dia, pergunta para a pessoa se quer comer pipoca e ver a série Sugar (aliás, indico vivamente, até porque o personagem está relacionado ao tema). E a pessoa d-e-s-a-p-a-r-e-c-e!
Sabe a história do “saiu para comprar cigarro…?” Pois é, assim mesmo. Você acha que tem um relacionamento, SQN (só que não). Em épocas dos nem-nem, nada mais intimidador do que se imaginar entre laços. E não é só privilégios do sexo masculino, mulheres desaparecem, também. Dizem que os exemplos mais extremos foram os de Colombo e Cabral (kkk). Na literatura aparecem desde os tempos mais remotos, mas o termo foi adotado em 2006, e tornou-se oficial em 2017.
Existe um novo compêndio das desilusões amorosas que vai do benching (esperar sentado); orbiting (como os planetas, orbitar em volta de alguém, em modo toca e foge), zombieing (quando desaparece e muito tempo depois, regressa sem avisar).
Maravilhosas as novas palavras!
Ghosting, (fantasmando), porque “quando as pessoas são menos sensíveis emocionalmente e menos vulneráveis umas às outras, o ghosting torna-se mais fácil de fazer”¹. Quem desaparece evita o próprio desconforto e nem imagina que vai magoar o outro, pensa que será rápido e indolor. É só cancelar, basta uma leve pressão do polegar (e zás, lá se foi o polegar). Assim é o novo amor em tempos digitais, ou as quase-relações, os fantasmas projetados. A realidade é bruta, mesmo.
O caso da agamia é mais claro e mais definitivo. É sobre quem não tem nenhum compromisso e nem a perspectiva de um relacionamento. Não existe o outro, o parceiro amoroso (ah, me poupe de ficar escrevendo o/a).
Todo mundo conhece a monogamia (um único parceiro), a poligamia (vários parceiros). Na agamia, não há o gamos (a união entre pessoas), é cada um por si. A agamia não rejeita o afeto nem a sexualidade, apenas rejeita a ideia do amor romântico, não pressupõe o casal.
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É como uma máquina de aceleração de átomos. Bate aqui e ali, gira e produz efeitos estrondosos. Uau. Quem diria, Greta Gabor acabou no Irajá (texto de Fernando Mello, 1973)!
A tendência é definida na moda como o que está na crista, no mar alto. Quando a onda se forma e faz espuma já é moda, deixou de ser tendência.
Querendo (ou não) a tendência é essa. Vamos ver (ou não) o que vai acontecer.
Sugar
Direção e produção executiva: Fernando Meirelles
Atores: Collin Farrel, Amy Ryan, Sydney Chandler…
Apple Tv, 2024
¹Jennice Vilhauer, psicóloga, colaboradora regular da Psychology Today e autora do livro Think Forward To Thrive.