Para muitos especialistas, o termo ESG, sigla em inglês para se referir a questões ambientais, sociais e de governança corporativa, é ingrato ao compartimentar as três dimensões, dando a falsa sensação de que elas são desconectadas, quando, na verdade, elas estão intrinsecamente ligadas, e eu concordo com eles. E em 2024, cada vez mais a conexão da dimensão humana (o “S”) com as demais ficará clara, ainda que não seja a prática mais comum hoje nas empresas, porém já escrevi aqui que está havendo um movimento onde as empresas e governos percebem que sem seus colaboradores elas nada são.
Dito isso, está ainda cada vez mais evidente a conexão da urgência climática com as políticas de bem-estar e qualidade de trabalho dos colaboradores. Estudos têm evidenciado que o calor extremo provoca riscos para a saúde, como insolação e exaustão, agrava doenças e, consequentemente, sobrecarrega os sistemas de saúde pública e privada.
O calor intenso faz vítimas fatais. De acordo com o “Bureau of Labor Statistics” dos Estados Unidos, uma espécie de IBGE aqui no Brasil, 36 colaboradores morreram em 2021 e 56 em 2020 devido ao calor, a maioria em empregos como construção civil, agricultura e entrega de encomendas (delivery). Mas, há quem acredita que esta conta é bem maior. O “Public Citizen”, um grupo de defesa dos direitos do consumidor, estima que o calor extremo contribui para entre 600 e 2.000 mortes por ano e 170.000 feridos nos locais de trabalho – apenas nos EUA.

Em 2019, a Organização Internacional do Trabalho previa que 2,2% do total de horas de trabalho em todo o mundo (equivalente a 80 milhões de empregos em tempo integral) sejam perdidos por ano, seja por causa do calor intenso, em parte porque os colaboradores ficam mais lentos, menos produtivos, neste ambiente. As perdas financeiras até 2030 foram estimadas em US$ 2,4 bilhões com isso.
As mudanças climáticas podem afetar diretamente os colaboradores e sua saúde mental de diversas maneiras. Eventos climáticos extremos, como ondas de calor, inundações e incêndios florestais, podem levar a traumas diretos, estresse crônico e ansiedade relacionada ao futuro e à segurança. Além disso, essas mudanças podem afetar indiretamente a saúde mental através do impacto em meios de subsistência, aumento da escassez de recursos e deslocamento de comunidades.
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Esta realidade afeta o ambiente de trabalho, onde a pressão sobre a saúde mental dos colaboradores pode diminuir a produtividade, aumentar o absenteísmo e a rotatividade de pessoal, e elevar os custos com saúde. As empresas e os governos portanto, têm um papel crucial a desempenhar, não apenas mitigando suas próprias emissões de carbono, mas também apoiando a resiliência mental de seus colaboradores .
A relação com o ESG é clara: a letra ‘S’, que representa as responsabilidades sociais de uma empresa, engloba a saúde e o bem-estar dos colaboradores. Empresas e governos com fortes práticas de ESG reconhecem a necessidade de criarem ambientes de trabalho que promovam a saúde mental, oferecendo programas de apoio, treinamento em resiliência e flexibilidade de trabalho. Além disso, a ‘G’, governança, envolve criar políticas corporativas que reconheçam e respondam aos riscos das mudanças climáticas para a força de trabalho.
Portanto, uma abordagem efetiva de ESG não só aborda a sustentabilidade ambiental (o ‘E’) e a ética corporativa (o ‘G’), mas também considera o bem-estar dos colaboradores como uma prioridade estratégica, alinhando as metas empresariais com a necessidade urgente de cuidar das pessoas em um clima em constante mudança.
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