Um “coquetel” com 27 agrotóxicos foi encontrado na água distribuída para 50 cidades do interior de São Paulo, tais como Bauru, Lençóis Paulista, Botucatu. A informação é da Organização Não- Governamental Repórter Brasil, com dados do Ministério da Saúde.
O estudo mostrou a possibilidade de que essa mistura de 27 diferentes tipos de agrotóxicos na água esteja sendo consumida por mais de 210 municípios brasileiros. E não é para menos: o Brasil é líder mundial do uso de agrotóxicos. Os efeitos desses venenos na saúde humana são devastadores.

Segundo a “Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida”, rede que reúne diversas organizações da sociedade civil e movimentos populares, 20% dos agrotóxicos que consumimos são altamente tóxicos.
E para piorar o cenário, somente em 2022, 652 agrotóxicos foram liberados. É o maior número da série histórica em 23 anos, com alta de 16% em relação a 2021.
Mais e mais agrotóxicos
A reestruturação da Anvisa ajudou no crescimento desse percentual, segundo especialistas. A aprovação de novos agrotóxicos no Brasil vem aumentando ano a ano, desde 2016, renovando recordes, uma herança macabra deixada pelo último governo, que coloca o governo atual com a missão de minimizar aprovações e rever a autorização de alguns agrotóxicos aprovados e em caráter de urgência.
De acordo com André Cordeiro Alves dos Santos, mestre e doutor em engenharia ambiental e especialista em ecossistemas aquáticos e recursos hídricos, a situação é dramática. “E não há nenhuma forma de controle, nem no uso nem na melhora dos sistemas de tratamento para reduzir a quantidade que chega à água de abastecimento”.
Anete Versolato afirma que um dos principais fatores para esse cenário ruim é a legislação falha. “Hoje, não há um limite para agrotóxicos em águas. Somente é analisado individualmente cada tipo de composto, independentemente da quantidade que teremos”, diz. Anete, que defendeu uma tese de mestrado de gestão ambiental sobre o tema, em 2023, teve como base os dados sobre a região do interior Paulista.
Segundo dados de 2019 da Agência Nacional de Águas (ANA), o Brasil tem mais de 83 quilômetros de rios poluídos, sendo que acima de 90% apresentam qualidade regular, ruim ou péssima. Isso significa que não há condições para recreação, agricultura e principalmente consumo!
Nosso maior diferencial em relação a outros países do mundo é o nosso recurso hídrico. Claramente, o Governo é o maior regulador e talvez o ator mais importante nesse panorama atual de controle de agrotóxicos. Mas podemos também (nos) ajudar nesse processo e promover ações como, comprar produtos da estação e principalmente de pessoas da região, apoiar a agricultura orgânica e falar sobre o uso de agrotóxicos.
A inovação tecnológica é também um fator importante nessa questão, pois ao trazermos soluções biológicas naturais, podemos substituir o uso de produtos químicos e preservar nossas águas e consequentemente nossas vidas, promovendo segurança e saúde hídrica.
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