Entrou em vigor na última quinta-feira (29) a Lei antidesmatamento na União Europeia. Empresas terão que confirmar que produtos como soja, cacau, madeira, óleo de palma, borracha e carne, além de derivados como móveis ou chocolate, não estão ligados a desmatamento ou diminuição florestal ocorridos depois de 31 de dezembro de 2020.
Vale dizer que a norma será implementada em 18 meses, porém empresas menores porte terão um tempo maior para se adequação. Talvez essa seja a ação mais forte em se tratando de uma regulamentação global contra o desmatamento – Segundo a UE, a lista de commodities será atualizada de forma periódica ligada ao comportamento das derrubadas das árvores em geral.

Indicadores de risco
Muito parecido com alguns indicadores de riscos econômicos, a UE irá classificar as categorias de países entre baixo, alto e risco padrão, onde quanto menor o risco menor também será a “devida investigação” quanto ao impacto negativo que causa – essa classificação deverá entrar em vigor nos próximos 18 meses.
Segundo a FAO, sigla em inglês para Organização de Agricultura e Alimentação das Nações Unidas, há uma estimativa que houve um desmatamento na casa de 420 milhões de hectares de floresta, o que é uma área maior que a própria UE, dado que compreende apenas os últimos 30 anos.
“Ou você lidera ou será liderado…(em práticas ESG)”, disse Larry Fink, CEO da BlackRock , o maior fundo de investimento do mundo, com US$9,09 trilhões em ativos.
O comunicado da União Européia mostra como a política ESG está sendo fortemente aplicada naquela região. As empresas brasileiras precisarão se adequar o quanto antes a nova norma imposta pela UE, para não apenas terem prejuízos, mas também em casos mais extremos, perderem um importante parceiro econômico.
Eu costumo dizer que nós latino-americanos/brasileiros somos acostumados a reagirmos à um problema, ao contrário de sermos proativos e evitarmos perdas, contingências de certa forma previsíveis que em um ambiente econômico potencialmente poderão trazer resultados catastróficos.
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A UE já dava sinais que tomaria um rumo mais rígido perante ao desmatamento mundial (a qual já falamos aqui na coluna a respeito) e que ao contrário do que acontece nos EUA, onde há uma polarização política em práticas sustentáveis, a União Europeia está muito inserida no contexto ESG – e dado esse cenário, as empresas no Brasil que não observaram esse movimento com atenção em seu planejamento estratégico e ligado a um plano de ação de ESG, (onde a economia de stakeholders é um dos fundamentos básicos), está fadada a tremendas perdas financeiras ou até mesmo fecharem as portas dependendo da área de atuação.
Portanto a frase de Larry Fink diz muito mais do que uma declaração aos seus parceiros, ela traz também uma visão estratégica que ter práticas de ESG bem estabelecidas na empresa a colocará em competitividade vantajosa no mercado, estará menos suscetíveis a crise, terá menos rotatividade de colaboradores, assim maiores ganhos financeiros e ainda deixará um impacto positivo no mundo.
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