A série belga é co-criação do diretor Rotem Shamir e o escritor Yuval Yefet (Fauda, 2015/23) e a direção é de Cecilia Verheyden (Ferry, 2021). Estrelada por Kevin Janssens, Ini Massez e Robbie Cleiren, a trama acompanha os Wolfson, uma família de judeus ultraortodoxos que domina o império de diamantes, na Antuérpia.
Sou apaixonada pelo O Poderoso Chefão e, depois dele, já imagino tudo o que um thriller pode contar.
Nada é novidade para quem conhece a Jornada do Herói, mas a série chama a atenção por trazer a intimidade das casas de uma família da comunidade hassídica da Antuérpia.

Vai o resumo: o filho mais novo, envolvido em dívidas, se mata. O mais velho cuida dos negócios do pai, junto com a irmã. O terceiro, Noah, que fugiu por não aceitar a concepção de vida dos pais, volta do exílio após quinze anos, com um filho.
As coisas vão muito mal, os tempos são outros e a família pode perder tudo.
Quando Noah investiga a morte do irmão, tenta juntar os pedaços do negócio falido e precisa cuidar do filho, órfão de mãe. Essa é a parte da série com muita ação, socos, perseguições, mortes, vinganças. Nada de novo.
A parte mais interessante é o conflito de Noah com as tradições, a culpa do passado, o amor abandonado, a rejeição do pai, com a direção dada pelos irmãos e luta para encontrar uma saída para os negócios obscuros em que se envolveram.
Tommy, o filho nascido em Londres, quer saber o que significam todos os rituais dos quais participa com os primos, recém conhecidos. Para Noah é difícil dar respostas adequadas.
Os conflitos pessoais, as dúvidas sobre o poder da família, a tradição que fala mais alto, a submissão ao que está escrito no Livro Sagrado. Não há espaço para o questionamento. Tudo é como é.
Os homens são autoritários e não estão dispostos à mudança. Impressiona a submissão das mulheres, que esperam a vez para falar ou fazer qualquer coisa, têm os cabelos cobertos por lenços ou perucas.
Ao mesmo tempo, a matriarca é que tem as soluções sussurradas para o marido. Os jovens são unidos pela shadchanit (casamenteira), não precisam se conhecer e não precisam conhecer o mundo, nem na ruas nem no cinema.
Um mundo sufocado. Deveres cumpridos, desejos inexistentes.
Mesmo usando celulares modernos, carros clássicos ou esportivos, lutando contra a máfia albanesa, a linha mestra é a tradição. Desde sempre, para sempre.
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