
A França anunciou nesta terça-feira (23) um decreto que proíbe voos domésticos de curta duração para destinos que possam ser percorridos por trem em viagens de até 2h30.
O foco do governo francês é claro: diminuir o impacto de emissões de CO2 na atmosfera, um problema que preocupa a comunidade internacional. A meta é alcançar a neutralidade carbônica nos transportes, que ainda são responsáveis por 30% das emissões no país, segundo o ministro de Transporte da França, Clément Beaune.
O presidente francês Emmanuel Macron apoiou e ratificou o posicionamento do governo com a proibição, por meio de sua conta no Twitter. Com a decisão, as rotas aéreas do aeroporto de Paris-Orly para as cidades de Nantes, Bordeaux e Lyon serão canceladas, mas os voos de conexão não serão afetados.
A ideia é boa. A França é o primeiro país a dar esse importante passo rumo àa de descarbonização dos transportes. A expectativa é a de que outros países, logo, seguirão esse exemplo. Há sempre a dúvida, como em qualquer mudança de paradigmas: qual a resposta e a efetividade dessa ação? Será que os franceses utilizarão mais os carros e não o trem, como se espera? E se os veículos automotores prevalecerem, haverá como pensar em medidas compensatórias no curto e médio prazos? Apenas o tempo dirá!
De qualquer forma, é um direcionamento revelante do governo francês e que poderá mudar não apenas o modo de viajar de milhões pessoas para curtas distâncias, como também de forma efetiva os ares europeus.
O Brasil tem uma malha ferroviária defasada e pouco representativa. O transporte de passageiros é praticamente restrito aos trens urbanos. Temos 8,5 milhões de km², mas apenas 30 mil km de ferrovias para tráfego. Nossa vizinha Argentina tem uma rede ferroviária de 34 mil km em um território três vezes menor do que o nosso. A comparação com os EUA é bem pior. O país tem 220 km de trilhos.
Nossa região está localizada no eixo mais importante do Brasil entre os estados do Rio de Janeiro e São Paulo, as duas maiores cidades do país. A promessa do Trem Bala – como é designado um transporte sobre trilhos de alta velocidade – beneficiaria mais de 3 milhões de habitantes que moram no Vale do Paraíba e Litoral Norte (segundo o IBGE). De acordo com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), na rodovia Presidente Dutra circulam cerca de 863 mil veículos diariamente. Quanto carros deixariam de fazer esse percurso com o início das atividades desse trem?
Portanto, mais do nunca uma política voltada para o setor ferroviário seria importantíssima, tanto para descarbonização dos transportes, quanto para desafogar nossas rodovias cada vez mais desafiadoras com carros, motos e caminhões disputando cada centímetro do asfalto.
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