Quando falamos da sigla de ESG, geralmente, o “E” (Ambiental) aparece mais em evidência, por ser um tema bem atual, mais tangível para as grandes massas e, lógico, por afetar o planeta como um todo.
Mas uma notícia recente chamou nossa atenção por se referir às duas outras letras da sigla, não menos importantes, a “S”, de Social”, e a “G”, de “Governança”: a empresa aérea Emirates, baseada em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, anunciou um lucro de US$ 2,9 bilhões (cerca de R$ 11,5 bilhões pelo câmbio atual), no último ano.
Foi um grande resultado, especialmente porque o setor aéreo foi um dos que mais sofreram durante a pandemia. Pelo último balanço, a companhia aérea transportou 43,6 milhões de passageiros, um aumento de 123% em relação ao ano passado.

Investimento nos colaboradores
Mas o destaque dessa notícia, e a razão de ser escolhida para a abertura desta coluna semanal, é o fato de a Emirates ter anunciado junto com os seus lucros um bônus de seis meses de salários para os mais de 55 mil colaborares da linha aérea, em um movimento sem precedentes na aviação mundial.
Sabemos que cuidar dos colaboradores é uma mudança que já vem sendo aplicada em muitas empresas, por ser um fator relevante não apenas na retenção de talentos, como também na prospecção de profissionais qualificados, que são naturalmente disputados pelas empresas. Porém, a decisão da Emirates vai muito além disso. Ela mostra ao mercado que olhar para seu patrimônio mais rico, o colaborador, é o caminho mais prático e eficiente para conquistar resultados mais lucrativos no curto, médio e longo prazos. Caso contrário, não teria optado por um bônus tão robusto.
A letra “G” e a transparência
Nesse caso, a governança corporativa, a letra “G”, precisa ser bem definida e transparente. Uma boa relação com a organização interna da empresa, que apoia e acredita no seu colaborador, a posicionará de maneira diferenciada no mercado. Uma companhia que vai além de fazer o colaborador se sentir como um recurso humano e oferece um “reconhecimento humano” está na frente das demais. Como sabemos, talento, orgulho e lealdade são fortes indicadores de prosperidade em qualquer organização.
Ações de ESG dão certo e trazem retorno. Resta saber, porém, se nossa cultura imediatista está preparada para entender que as práticas ambientais, sociais e de governança não são custo, mas sim investimento e que trarão longevidade para os negócios. São José dos Campos é uma cidade que sempre liderou inovação e tecnologia (EMBRAER, ITA, INPE, Parque Tecnológico e suas empresas etc).
Por que não também liderar e dar luz ao que talvez seja o movimento mais importante dos últimos tempos: o ESG na prática?
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