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    5 mitos sobre a vacina do HPV, única que protege contra o câncer de colo de útero

    11 de fevereiro de 2023Updated:11 de fevereiro de 2023Nenhum comentário5 Minutos de Leitura
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    A infecção por HPV (papilomavírus humano) é considerada uma das doenças sexualmente transmissíveis mais comuns.

    O vírus é responsável por quase 100% dos casos de câncer de colo do útero e também pode causar  câncer de ânus, pênis, vagina, vulva e orofaringe.

    A boa notícia, no entanto, é que desde 2006 existe uma vacina, produzida pelo Instituto Butantan, capaz de proteger contra o HPV.

    Por outro lado, em um período de tanta desinformação, alguns mitos sobre o imunizante impactam a população de forma negativa, e por isso trazemos a explicação do próprio Butantan sobre de 5 dessas fake news (confira mais abaixo).

    profissional da saúde aplicando vacina em braço de mulher
    (Foto: Reprodução/Internet)

    1) NÃO incentiva o início da atividade sexual

    A vacinação contra o HPV não tem nenhuma relação com o incentivo à atividade sexual. De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), diversas pesquisas já mostraram que adolescentes imunizados contra o vírus não são mais propensos a começar a vida sexual precocemente do que aqueles não vacinados.

    Um estudo da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, mostrou que jovens residentes em estados que faziam campanhas de vacinação contra o HPV não tinham uma vida sexual mais ativa do que aqueles vivendo em outros estados. Outra pesquisa, da Universidade de Michigan, apontou que a vacinação não está associada a maior probabilidade de início da atividade sexual e nem ao aumento no número de parceiros.

    A recomendação de aplicar a vacina na faixa etária de 9 a 14 anos se deve ao fato da resposta imune ser comprovadamente mais eficaz nessa idade. Além disso, serve justamente para proteger crianças e adolescentes antes de iniciarem a atividade sexual (que é o principal meio de transmissão do HPV).

    2) NÃO causa convulsões e outros problemas neurológicos

    Nos 30 mil voluntários que participaram dos ensaios clínicos da vacina do HPV e em 17 anos de acompanhamento das 300 milhões de doses já aplicadas no mundo, não foi identificada nenhuma evidência de que o imunizante cause convulsões ou outros problemas neurológicos.

    Segundo uma revisão sistemática conduzida pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) com 30 mil indivíduos, os efeitos adversos mais frequentes são dor e inchaço no local da injeção, fadiga, febre, sintomas gastrointestinais e dor de cabeça.

    Leia também: Anvisa proíbe venda de pomadas para modelar cabelo

    No Brasil, casos ocorridos no Acre desde 2014 com meninas que apresentaram convulsões e desmaios após tomarem a vacina do HPV ganharam as manchetes e causaram medo nos pais.

    As adolescentes foram encaminhadas ao Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP) e após um monitoramento intensivo da atividade cerebral e diversos exames laboratoriais os pesquisadores concluíram em estudo que se tratava de reações psicogênicas, associadas a intenso estresse emocional e medo da injeção.

    Além disso, foram constatados também que dois dos casos (de irmãos) eram de epilepsia de origem genética. Nenhuma associação biológica foi encontrada entre a vacina e os problemas clínicos apresentados pelas pacientes.

    Vale ressaltar que reações psicológicas desse tipo são comuns em adolescentes e já foram reportadas para outros imunizantes, mas são passageiras.

    A bula da vacina do HPV informa que, embora episódios de desmaio sejam raros, os pacientes devem ser observados por 15 minutos após receberem o imunizante.

    3) NÃO causa infertilidade

    Já foi comprovado por meio de diferentes estudos, incluindo uma revisão sistemática publicada no início deste ano na Vaccines, que a vacina do HPV não causa infertilidade.

    Essa preocupação começou depois de alguns relatos de insuficiência ovariana prematura (IOP) em adolescentes que haviam tomado o imunizante e ajudou a fortalecer o movimento antivacina.

    No entanto, foi observado que a incidência do problema é a mesma em meninas imunizadas e não imunizadas. Outro estudo publicado na Pediatrics analisou cerca de 200 mil mulheres e não identificou risco elevado de IOP naquelas que haviam tomado a vacina.

    Leia mais: São Paulo alerta para risco de febre amarela durante o carnaval

    Segundo o Comitê Consultivo Global sobre Segurança de Vacinas da Organização Mundial da Saúde (OMS), os dados mostram que não existe uma associação entre a vacina do HPV e a infertilidade. “O perfil de segurança do imunizante continua sendo extremamente favorável e consistente com o que foi observado nos estudos clínicos”, informou em nota oficial em 2019.

    4) NÃO aumenta o risco de coágulo no sangue

    Casos de tromboembolismo venoso (formação de coágulos na corrente sanguínea) também não estão associados à vacinação pelo HPV.

    Um estudo americano que analisou 156 casos mostrou que a maioria tinha fatores de risco conhecidos, como uso de anticoncepcional oral, obesidade e hipercoagulação, e que pessoas imunizadas não apresentaram maior risco de desenvolver a condição do que indivíduos não vacinados.

    Uma outra pesquisa conduzida na Dinamarca chegou às mesmas conclusões.

    5) NÃO é destinada apenas às meninas

    Meninos e homens também devem ser protegidos contra o HPV, já que correm o mesmo risco que as mulheres de se infectar ao longo da vida, e também são importantes transmissores do vírus.

    Além disso, os homens têm 20 vezes mais chance de sofrer uma reinfecção do que as mulheres.

    No público masculino, o HPV pode causar câncer de pênis, ânus e orofaringe.

    De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), pelo menos 15 mil casos de câncer por ano em homens são causados por HPV.

    Uma revisão sistemática que analisou 16 estudos e 18.106 indivíduos mostrou uma prevalência de 49% de HPV em homens.

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