Close Menu
    Sobre a spriomais
    • Institucional
    • Equipe
    • Contato
    Escute a rádio spriomais
    Facebook X (Twitter) Instagram YouTube LinkedIn WhatsApp
    • Institucional
    • Equipe
    • Contato
    Facebook X (Twitter) Instagram YouTube Spotify LinkedIn WhatsApp
    spriomais
    • Notícias
      • Cidades
      • Cultura
      • Especiais
      • Esporte
      • Geral
      • Made In Sanja
      • Meio Ambiente
      • Mulher
      • Polícia
      • Política
      • Tecnologia
      • Turismo
    • Colunas
      • + Arte na Cidade
      • Animais Ok
      • Berlim Esporte Clube
      • Código Fonte
      • Cozinha sem Chef
      • Curiocidades
      • Da janela do Helbor
      • ESG na Prática
      • Esquecimento Global
      • Fora do Cabide
      • Ofício das Palavras
      • Playlist de maestro
      • Todas as Claves
      • Viva
    • Podcast
    • Branded
    • Acontece spriomais
    • Publicidade Legal
    rádio
    spriomais

    SJC – TA PAGO SJC – TA PAGO

    Você está em:Início » A vida é uma causa perdida?
    Artigo

    A vida é uma causa perdida?

    Autor: Fabricio Correia2 de novembro de 2026Nenhum comentário4 Minutos de Leitura
    WhatsApp Facebook Twitter LinkedIn Email
    + Adicionar spriomais ao Google
    Google News
    Compartilhe
    Facebook Twitter LinkedIn WhatsApp Email Copy Link
    A vida é uma causa perdida?
    (Créditos: Pexels)

    A morte tem uma vantagem indecente sobre todos nós: conhece o resultado antes mesmo de começar a partida. Podemos mudar de cidade, de profissão, de amores e de convicções, mas jamais conseguiremos alterar aquela circunstância que nos acompanha desde o nascimento. Um dia morreremos. O curioso é que, sabendo disso, continuamos comprando passagens, escolhendo livros, plantando árvores e nos apaixonando com uma disposição quase comovente para acreditar no futuro.

    A pergunta me acompanha desde que ouvi uma conversa entre Antônio Abujamra e Rubem Alves no programa “Provocações”. A vida seria uma causa perdida? Rubem foi um dos grandes amigos que a existência me ofereceu, daqueles que nos ajudam a chegar até nós mesmos. Sua partida jamais encerrou nossa conversa. Continuo encontrando sua presença nos livros, nas lembranças e na maneira como observo o mundo. Algumas amizades sobrevivem à morte porque se incorporam tão profundamente à nossa formação que já não conseguimos distinguir o que aprendemos daquilo que nos tornamos.

    Talvez o equívoco esteja em considerar a existência uma competição contra o desaparecimento. Passamos décadas acumulando conquistas, títulos e reconhecimentos, como se alguém fosse examinar nossos resultados e decidir se merecemos uma prorrogação. A morte, indiferente a currículos e patrimônios, desmonta essa contabilidade com uma simplicidade desconcertante.

    Quando somos crianças, o tempo parece uma propriedade particular. As férias demoram a chegar, os aniversários custam uma eternidade e os adultos nos parecem habitantes de um território imune ao desaparecimento. Depois começamos a contar os anos pela ausência das pessoas. Uma cadeira permanece vazia durante o almoço, determinado número deixa de aparecer no telefone, uma voz sobrevive numa gravação. Descobrimos que envelhecer também significa aprender a amar quem já partiu.

    O que mais me impressiona na morte é sua capacidade de transformar o banal em precioso. Ninguém imagina, durante uma conversa qualquer, que determinada frase poderá ser a última. Despedimo-nos com a naturalidade de quem espera continuar o assunto na semana seguinte, adiamos visitas, prometemos telefonar. Depois, diante da impossibilidade de recuperar aqueles minutos, daríamos quase tudo por uma tarde comum.

    A saudade conhece uma geografia própria. Mora em objetos que perderam sua utilidade, em ruas pelas quais evitamos passar, em músicas que interrompemos antes do final. Às vezes aparece diante de uma xícara, de uma palavra, de um gesto que alguém reproduz involuntariamente. Recordar uma pessoa amada significa reencontrar, por alguns instantes, a possibilidade de sua companhia.

    Leia mais: A literatura é a viagem que não termina

    Durante muito tempo imaginei que amadurecer significasse compreender melhor a vida. Hoje suspeito que amadurecer consiste em aceitar o quanto permanecerá incompreensível. Podemos estudar filosofia, literatura, história e atravessar experiências extraordinárias, mas continuaremos incapazes de explicar por que certas pessoas nos encontram ou por que uma felicidade aparentemente insignificante permanece conosco durante décadas.

    Gastamos anos defendendo posições que amanhã já não terão significado, discutindo com pessoas cuja opinião pouco interfere em nossa felicidade e acumulando obrigações que nos afastam justamente daquilo que desejávamos preservar. Sabemos que nosso tempo é limitado, mas conseguimos desperdiçar uma tarde inteira por causa de uma contrariedade insignificante.

    A felicidade costuma contrariar nossas previsões. Podemos organizar uma viagem durante meses e descobrir que sua lembrança mais preciosa será uma conversa inesperada numa estação. Podemos preparar uma celebração grandiosa e recordar, muitos anos depois, apenas o instante em que alguém nos abraçou na cozinha.

    Talvez seja essa a verdadeira aventura: amar sabendo que podemos perder, criar sabendo que nossas obras poderão ser esquecidas, ensinar sem conhecer o destino de nossos ensinamentos, fazer amigos mesmo compreendendo que um dia precisaremos nos despedir.

    Um dia, alguém pronunciará nosso nome pela última vez. Nossos livros passarão a outras mãos, nossas fotografias perderão a identificação e os lugares onde fomos felizes receberão pessoas desconhecidas. O mundo continuará funcionando, as crianças continuarão brincando, os namorados marcarão encontros e alguém reclamará da chuva numa manhã de segunda-feira.

    A vida é uma causa perdida? Se esperamos derrotar a morte, começamos uma disputa cujo resultado já foi decidido. Mas ninguém considera inútil uma viagem porque precisa regressar, nem lamenta ter ouvido uma bela composição porque a música terminou.

    Penso nas duas datas separadas por um pequeno traço numa lápide. Para quem passa diante dela, aquele sinal representa quase nada. Para quem viveu entre aqueles números, coube ali um universo inteiro.

    Não sei quanto tempo ainda me pertence. Sei apenas que continuo cercado por pessoas que amo, por lembranças que me sustentam e por uma quantidade imensa de coisas que ainda despertam minha curiosidade.

    A morte ficará com a última palavra. Não vejo motivo para entregar-lhe também todas as anteriores.


    Fabrício Correia é escritor, historiador e professor universitário. Integra a União Brasileira de Escritores e preside a Academia Joseense de Letras.

    + Adicionar spriomais ao Google
    Compartilhe Facebook Twitter Pinterest LinkedIn WhatsApp Telegram Email Copy Link
    Notícias AnterioresEmbraer fecha acordo para vender até seis aviões militares para a Grécia; primeiro chega em 2027
    Próxima Notícia Jacareí terá aulões gratuitos de preparação para o Enem no Teatro Ariano Suassuna

    Notícias Relacionadas

    Meu Halloween brasileiro (alerta de medo)

    Autor: Gabriel Blois Moreira / Portal Spriomais31 de outubro de 2026

    A literatura é a viagem que não termina

    Autor: Fabrício Correia29 de outubro de 2026

    A virada do Brasil

    Autor: Fabrício Correia26 de outubro de 2026
    Inscrever-se
    Acessar
    Notificar de
    Acessar para comentar
    0 Comentários
    mais antigos
    mais recentes Mais votado

    PREF CARAGUA







    SJC – TA PAGO SJC – TA PAGO

    A spriomais é o primeiro portal jornalistico multidigital do Vale do Paraíba, com os principais acontecimentos da região, do Brasil e do mundo.

    email:
    [email protected]

    Maior festival gastronômico do Vale do Paraíba, com 60 mil pessoas na edição de 2024, e que reúne os melhores restaurantes, bares e confeitarias de São José dos Campos.

    instagram:
    @mais_gastronomia
    email:
    [email protected]

    O design elegante e as fotografias selecionadas reforçam a atmosfera gourmet do jornal impresso e digital do Grupo SP Rio Mais.
    Um convite ao leitor para desacelerar diante das páginas e perceber a informação como parte de uma experiência estética.

    email:
    [email protected] 

    • Facebook
    • Twitter
    • Instagram
    • YouTube
    • LinkedIn
    • WhatsApp
    • Spotify
    © 2026 SPRIO SERVIÇOS DE COMUNICAÇÃO EIRELLI - spriomais 2025 © Todos os direitos reservados

    Escreva algo e precione Enter para buscar. Pressione Esc para cancelar.

    wpDiscuz
    Usamos cookies para garantir que oferecemos a melhor experiência em nosso site. Se continuar a usar este site, assumiremos que está satisfeito com ele.