
Na última quinta-feira (8), os corredores da Fatec Jacareí viraram vitrine de futuro. Na Feite3c, estudantes apresentavam protótipos, maquetes e pesquisas sobre água, rios, resíduos e gente. Saí de lá pensando: quanto vale uma ideia que já nasce preocupada com o rio que passa atrás da fábrica?
Vamos aos números, porque, como eu digo, ESG sem conta é só discurso. Segundo o Instituto Trata Brasil, o país lança diariamente na natureza o equivalente a 5.442 piscinas olímpicas de esgoto sem tratamento. Pelos dados do Sinisa, ano-base 2024, apenas 51,8% do esgoto gerado é tratado.
Essa conta chega ao SUS, à escola e ao trabalho. A poluição que sai pelo cano volta como doença, ausência e perda de renda.
Há, porém, outra conta possível. Um estudo do Trata Brasil e da consultoria EX ANTE, publicado em 2022, estima R$ 815,7 bilhões em benefícios líquidos com a universalização do saneamento entre 2021 e 2040, em valores presentes a preços de 2021. São ganhos para a sociedade, já descontados os custos.
É nesse encontro entre resultado econômico e cuidado ambiental que vejo o empreendedorismo do futuro. Não basta chamar um negócio de verde. É preciso medir o que ele melhora, provar que funciona e sustentar sua operação.
A empresa precisa dar lucro. Mas, quando o resultado depende de deixar a conta ambiental para os outros, quem está financiando esse sucesso?
- E se você fizesse parte dos 33 milhões sem água potável no Brasil?
- Sua empresa pode ser sustentável e, ao mesmo tempo, adoecer pessoas?
- E se o ESG coubesse na sua xícara de café?
Na Austrália, onde vivi por 14 anos, encontro uma referência para essa conversa. Em 2025, o Australian Research Council anunciou 114,6 milhões de dólares australianos para apoiar 100 pesquisadores pelo programa Future Fellowships.
E há um exemplo que conecta ciência e água: Richard Robson, da Universidade de Melbourne, dividiu o Nobel de Química de 2025 por pesquisas que ajudaram a desenvolver materiais capazes, entre outras aplicações, de captar água do ar em regiões desérticas. Entre uma ideia e uma transformação, existe investimento, continuidade e tempo para pesquisar.
No Brasil, o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, que financia ciência e inovação, já registra R$ 11,88 bilhões em pagamentos em 2026. Mas desembolsar é uma etapa. O resultado aparece quando o dinheiro vira pesquisa, equipamento e solução na vida das pessoas. É essa transformação que precisamos acompanhar e cobrar.
Os estudantes das Fatecs, da USP, da Unesp etc. precisam de bolsas, equipamentos, parceiros e oportunidades para testar suas soluções. Ao seguir para o trabalho na O2eco Tecnologia Ambiental, levo essa inquietação comigo. O lucro pode estar no ponto final. A responsabilidade precisa estar desde a primeira linha.
Se lucro e meio ambiente podem caminhar juntos, por que adiar essa parceria e deixar uma dívida para o futuro? É hora de equilibrar essas forças: um negócio precisa sustentar seu caixa e o mundo que torna sua existência possível.