
Enquanto os relógios são tradicionalmente associados à exposição e ostentação, um grupo de colecionadores em São José dos Campos aposta em uma proposta diferente: a discrição. Criado para reunir entusiastas da relojoaria, o Watch Club 012 mantém acesso restrito e promove encontros presenciais entre pessoas interessadas na história, no funcionamento e na cultura por trás dos relógios mecânicos.
A segunda edição do encontro, realizada na última quarta-feira (5), na Universal Joias, dentro do Vale Sul Shopping, reuniu cerca de 50 convidados. Segundo os organizadores, os colecionadores presentes não tiveram a identidade revelada por questões de segurança.
Entre os participantes estavam nomes conhecidos do mercado brasileiro de relojoaria, como Regina Cardoso, diretora de Marcas Internacionais do Grupo Orient, e Éder Paris, proprietário da On Time Watchmakers e mestre relojoeiro. O encontro ainda reuniu criadores de conteúdo como Victor Manachini (@relogioscomhistoria) e Vinnicius Gomes (@relogiosnareal), que juntos somam mais de 120 mil seguidores no Instagram.
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Clube tem vagas restritas
O clube adota um modelo bastante restrito. As vagas são limitadas e os interessados precisam preencher um cadastro com informações sobre perfil como entusiasta, marcas de interesse e quantidade de relógios da coleção. A seleção busca entender também as expectativas em relação ao grupo e perfil como consumidor. Há participantes de diferentes níveis, dispostos a gastar de R$ 2 mil até valores que superam os R$ 50 mil.

A iniciativa começou há cerca de quatro meses, por um post no Instagram, e hoje soma 80 amantes de relógios interessados pelos encontros. “Tem muito grupo de WhatsApp, mas é uma coisa muito fria”, disse o arquiteto Rodrigo Bastos, fundador do grupo, à colunista Viviane Renó. Ele considera que a experiência de “estar junto, mexer no relógio do outro e conversar é muito mais rica.”
Encontros
O Watch Club 012 realizou seu primeiro encontro em abril e ainda não definiu a data da próxima edição. Segundo os organizadores, a proposta é criar um ambiente de troca entre pessoas que compartilham o interesse pela relojoaria, sem abrir mão da segurança dos participantes e de suas coleções.
“São José é uma cidade muito rica, mas o pessoal não tinha ninguém para encontrar. A gente ama relógio e criou esse grupo de colecionadores. É um grupo bem restrito para preservar a segurança de todo mundo”, afirmou Arthur Sakuragi, diretor da Universal Joias.



Sakuragi ressalta que o interesse pelo relógio vai além do objeto em si. “O relógio carrega muita história. São histórias de famílias, uma peça que atravessa gerações, e você ter um ambiente seguro, um grupo que preza por isso, valoriza isso, é muito bom”, diz.
Durante o último encontro, os participantes levaram peças de suas próprias coleções e também acompanharam apresentações de modelos das marcas Seiko e Orient. Exemplares das linhas Presage, Prospex, Seiko 5 Sports e Speedtimer, que representam diferentes segmentos da fabricante japonesa, foram expostos em vitrines que acumulavam alguns milhares de reais.
Os participantes puderam ainda acompanhar conversas técnicas sobre manutenção, precisão e funcionamento dos relógios, além de conhecer bastidores das marcas e trocar experiências com profissionais do setor.