
O ônibus que caiu em uma ribanceira da Serra da Mantiqueira e matou seis romeiros em Cruzeiro, no último domingo (20), foi fabricado em 1995, não tinha seguro e já havia sido alvo de autuação por mau estado de conservação. As informações constam do boletim de ocorrência.
Segundo o documento, o veículo, um Scania K113 registrado em Lavras (MG), transportava 47 passageiros, além do motorista, quando perdeu o controle na descida da serra, por volta das 5h15, no km 232+600 da SP-52, no bairro Entre Rios. O ônibus tinha 31 anos de uso.
O boletim registra que policiais recolheram “elementos preliminares indicando possíveis irregularidades relacionadas ao estado de conservação do veículo”, entre elas a notícia de uma autuação anterior pelo mesmo motivo e o desgaste excessivo de componentes.
Vítimas de 14 à 74 anos
Morreram Sebastião Bento Petronilho, de 74 anos; Jairo Antônio de Paula, de 47; Evandro Carlos Garcia, de 46; Augusto Antônio de Lino, de 43; e Alice Fátima Alves da Silva, de 14. A sexta vítima é Ilza Nazaré Pereira Paulo, coordenadora da romaria, que organizava havia anos a viagem anual do distrito do Rosário, em Itumirim (MG), até Aparecida. O boletim não traz a data de nascimento de Ilza.
Alice, a mais nova, nasceu em janeiro de 2012. Dois filhos de Ilza estavam no ônibus e sobreviveram.
Entre os 41 passageiros que escaparam com vida há ao menos seis crianças de 7 a 13 anos, além de grupos familiares inteiros, mães viajando com duas filhas pequenas, irmãos, pais e filhos. A qualificação das vítimas no boletim mostra que boa parte do ônibus era formada por parentes da mesma comunidade rural.
Motorista tentou reduzir marcha e não conseguiu
Lammounier Domingos Botelho Naves, de 38 anos, foi preso em flagrante e deve passar por audiência de custódia nesta segunda-feira (21). Ele responde por homicídio culposo na direção de veículo automotor e lesão corporal culposa, ambos com agravante por exercer profissionalmente o transporte de passageiros.
Ao delegado, Naves afirmou que, durante a descida da serra, tentou reduzir a marcha e não conseguiu efetuar o engate pretendido. Sem a redução, o ônibus ganhou velocidade até que ele perdeu completamente o controle. O motorista sustenta que houve falha mecânica repentina. O teste de alcoolemia deu negativo.
O delegado considerou que há indícios de imprudência, negligência ou imperícia suficientes para o flagrante, e registrou que o condutor tem curso específico para transporte coletivo, o que, segundo a fundamentação, eleva seu dever de cuidado.
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