
Com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PT oficializou neste sábado (25) a candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo. A convenção foi realizada no Ginásio Poliesportivo do Clube Concórdia, na Arena Concórdia, em Campinas, como uma forma de aceno simbólico ao interior do Estado, onde o PT, historicamente, enfrenta resistências.
Atrás nas pesquisas de opinião, Haddad tem hoje dois desafios: fortalecer a campanha de Lula no Estado e evitar a vitória de Tarcísio de Freitas (Republicanos) no primeiro turno.
Além de Lula, o evento do PT teve a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), de Márcio França (PSB), candidato a vice na chapa de Haddad, e das candidatas da coligação ao Senado, Marina Silva (PT) e Simone Tebet (PSB), além de cerca de 8.000 pessoas, entre militantes, lideranças e candidatos.
O tom da convenção foi marcado por críticas às privatizações realizadas na gestão de Tarcísio de Freitas. Citando a Sabesp, o Metrô e a CPTM, Haddad avaliou que os processos foram “feitos a toque de caixa” e “entregues a empresas sem a menor experiência nesses ramos de atividade”.
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O candidato do PT também ressaltou o aumento no número de feminicídios no Estado. O Brasil registrou 746 vítimas de feminicídio entre janeiro e junho deste ano, queda de 2,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo dados do Ministério da Justiça, no entanto, nove estados, entre eles São Paulo, registraram aumento de 10,1% no número de casos no período. Foram 129 vítimas no Estado.
Educação, poder das mulheres e críticas ao projeto privatista do governo Tarcísio de Freitas foram algumas das ideias que permearam os discursos da convenção. Haddad falou também sobre a insegurança sentida pela população paulista e sobre as pessoas em situação de rua.
Lula
Estrela do evento, o presidente Lula rejeitou tentativas de interferência nas eleições brasileiras. Segundo ele, o país é soberano e quem tentar influenciar o processo eleitoral brasileiro “vai apanhar muito”.
“Que não venha ninguém de fora querer meter o dedo nas nossas eleições. Eu não sou de fazer bravata, eu não gosto de dizer o que eu não posso fazer, mas vou dizer para vocês uma coisa que eu trago do berço, uma coisa aprendida com uma mãe analfabeta: andar de cabeça erguida, ter vergonha e caráter, que a gente não encontra no shopping, a gente não encontra no Mercado Livre. Caráter e vergonha você nasce de berço, aprende com o pai e a mãe”, disse.

Estratégia
Na ofensiva pelo interior, a campanha de Haddad tem como estratégia estreitar relações com o interior e com o agronegócio, setor mais alinhado à direita. A pecuarista Teca Vendramini, primeira mulher a presidir a Sociedade Rural Brasileira, chegou a ser cotada para vice na chapa de Haddad, mas recusou. Atualmente, ela atua na articulação de Haddad com o setor.
Haddad é advogado e professor de ciência política e vai disputar o governo do Estado pela segunda vez. Ele já foi prefeito da cidade de São Paulo e era ministro da Fazenda do governo Lula até março.
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Deputada
Embora o foco da convenção do PT tenha sido a chapa majoritária no Estado, o partido também definiu a chapa de candidatos para a Assembleia Legislativa do Estado e para a Câmara Federal. De São José dos Campos, o único nome na disputa é o da vereadora Juliana Fraga, candidata a deputada estadual.