
Durante visita à Avibras, em Jacareí, nesta sexta-feira (24), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que ficou “muito p*to da vida” com a demora para solucionar a crise da empresa, que estava em recuperação judicial desde 2022 e teve a retomada viabilizada após a aquisição pelo grupo australiano DefendTex.
Em discurso para funcionários e autoridades, Lula disse que acompanhou o processo ao longo do mandato e criticou a lentidão para resolver uma situação que, segundo ele, era defendida por diferentes setores do governo e pelas Forças Armadas.
“Muitas vezes eu fiquei muito p*to da vida. Como é que se demora tanto para resolver um problema que as Forças Armadas queriam, que o presidente queria, que o ministro da Defesa queria, que o vice-presidente queria, que todo mundo queria, e não acontecia?”
O presidente afirmou que a retomada da empresa representa uma mudança de postura do governo em relação à indústria nacional de defesa e classificou o setor como estratégico para o país.
“Cuidar da Defesa desse país não é coisa pequena, não é coisa secundária. Cuidar da Defesa desse país é muito importante, é coisa prioritária.”
Segundo Lula, o Brasil precisa manter capacidade tecnológica e industrial para proteger seu território, citando os cerca de 16,7 mil km de fronteiras terrestres, mais de 8 mil quilômetros de litoral e a chamada Amazônia Azul, vasta área oceânica de 5,7 milhões de km² sob jurisdição brasileira.
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Ele também afirmou que o país possui riquezas naturais que exigem proteção, como terras raras, a Floresta Amazônica e grandes reservas de água doce.
Presidente relembrou a Guerra do Paraguai
Durante o discurso, Lula relembrou a Guerra do Paraguai para defender que o país esteja preparado para eventuais conflitos, mesmo mantendo uma tradição diplomática.
“Nós somos um país de paz. Gostamos de carnaval, de samba, de futebol, do Corinthians. Mas ninguém pode esquecer que um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil. Aquela guerra durou cinco anos. Quando começa uma confusão, ninguém pergunta se tem dinheiro. Ou você está preparado, ou está ferrado.”
Apesar da Defesa do fortalecimento militar, o presidente afirmou que o objetivo é garantir capacidade de dissuasão e preservar a paz.
“Quero as Forças Armadas bem preparadas, bem treinadas e bem equipadas do ponto de vista científico e tecnológico, para que a gente possa levantar a cabeça e viver em paz.”
“Forças Armadas são que nem Deus”

Ao defender investimentos no setor militar, Lula comparou as Forças Armadas à religião.
“As Forças Armadas são que nem Deus. Você pode até não acreditar, mas quando tiver a primeira dor de barriga, vai dizer: ‘Ai, meu Deus’. As Forças Armadas são a mesma coisa.”
Segundo o presidente, o Brasil precisa manter soldados preparados e investir em tecnologia para garantir a soberania nacional.