
A promessa do governo federal de ampliar as encomendas para a Avibras pode abrir caminho para a reativação da unidade da empresa em Lorena. A expectativa foi apresentada nesta sexta-feira (24), durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à fábrica de Jacareí.
Durante o evento, Lula afirmou que o Ministério da Defesa irá preparar novos contratos para fortalecer a capacidade das Forças Armadas e garantir demanda para a indústria nacional de defesa.
“O Ministério da Defesa vai preparar as encomendas necessárias para que a gente possa ter as Forças Armadas bem equipadas e uma indústria nacional forte.”
Segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin, esse novo cenário deve impulsionar a recuperação da empresa e permitir a reabertura da unidade de Lorena, responsável pela produção de insumos utilizados em combustíveis sólidos para foguetes, mísseis e lançadores.
Para ele, a retomada da Avibras no último mês de maio já resultou na contratação de 480 trabalhadores, e a expectativa é de ampliação das operações.
Além das novas encomendas do governo brasileiro, o vice-presidente destacou o avanço das exportações da indústria nacional de defesa. Segundo ele, as vendas do setor passaram de US$ 600 milhões, em 2022, para US$ 3,4 bilhões no ano passado, crescimento que, na avaliação dele, demonstra o potencial de expansão da Avibras.
“A Avibras tem tudo para retomar o crescimento e é muito importante para o Brasil ter uma defesa com tecnologia e capacidade de dissuasão.”
A fábrica de Lorena está paralisada desde o agravamento da crise financeira da empresa e integra os planos de expansão após a retomada das atividades em Jacareí.
Recursos enviados à Avibras deve pagar salários atrasados
Durante o discurso, Lula afirmou ainda que parte dos recursos destinados à Avibras deverá ser utilizada para quitar os salários atrasados dos trabalhadores, conforme o acordo firmado durante o processo de recuperação judicial.
A empresa retomou as atividades após um acordo para o pagamento de cerca de R$ 230 milhões em dívidas trabalhistas. A Avibras enfrentava uma grave crise desde 2022, quando entrou em recuperação judicial e viu seus funcionários permanecerem em greve por aproximadamente 1.280 dias, uma das paralisações mais longas do país.