
O deputado federal Kim Kataguiri (Missão), durante uma visita a São José dos Campos nesta sexta-feira (4), afirmou que o Supremo Tribunal Federal (STF) e outras instituições brasileiras “se colocam em risco” caso não deem respostas à sociedade diante de denúncias e escândalos envolvendo seus integrantes. Em entrevista ao repórter Gabriel Blois Moreira do Portal Spriomais, o parlamentar afirmou que a situações de falência institucional podem provocar uma reação da população e até revoluções.
“O Supremo e outras instituições se colocam em risco a partir da maneira que agem ilegalmente e inconstitucionalmente se protegendo desses escândalos de corrupção”, disse Kim Kataguiri.
A declaração ocorreu durante um evento com apoiadores realizado em um bar da Avenida Anchieta, no Jardim Esplanada, em São José dos Campos. Também participaram do encontro a candidata a deputada estadual Fernanda Schmidt e Rafael Minato, ambos da mesma legenda.
Questionado sobre a possibilidade de uma mobilização da população brasileira, caso não haja consequências para ministros do STF, Kim afirmou que a falta de respostas das instituições pode colocar o próprio sistema em risco.
“Eu acho que se as instituições não derem respostas para a sociedade, elas estão se colocando em risco”, afirmou.
Na avaliação do deputado, o problema ocorre quando instituições deixam de punir seus próprios integrantes.
“A partir do momento em que o Supremo admite que não pune os seus, e admite que existe corrupção, mas que eles não punem em corrupção porque eles são corporativistas, se o Congresso faz a mesma coisa, ou se o Executivo faz a mesma coisa, eles estão admitindo para a sociedade que eles faliram enquanto instituições e isso joga a sociedade em ebulição”, disse. “Revoluções aconteceram em razão desse tipo de falência institucional“.
Diploma para jornalistas
Durante a entrevista, Kim também foi questionado sobre a proposta apresentada por ele para acabar com a necessidade de diploma para o exercício da profissão de jornalista. A pergunta abordou o cenário atual de desinformação e a circulação de fake news, além da qualidade do conteúdo produzido por profissionais e não profissionais.
Segundo o deputado, a proposta busca garantir o direito à liberdade de expressão e ao exercício do jornalismo sem a exigência de formação específica.
“Hoje você já não precisa, eu estou basicamente garantindo o direito de liberdade de expressão que foi garantido pelo próprio Supremo Tribunal Federal que derrubou essa necessidade imposta pela ditadura justamente para garantir a liberdade de imprensa, justamente para garantir a liberdade de expressão”, afirmou.
Kim argumentou que a exigência do diploma também poderia criar um obstáculo ao direito constitucional ao sigilo da fonte.
“Se você só garante o exercício de um direito constitucional tão importante como sigilo da fonte tem um obstáculo legal que é a obtenção de um diploma, você está mitigando um direito fundamental simplesmente em razão de uma questão burocrática.”
O deputado comparou a situação com a advocacia, profissão que exerce, para argumentar que a exigência de formação e certificação não garante, por si só, qualidade profissional.
“Eu sou advogado, é necessário ter diploma, é necessário ter OAB para ser advogado. Nós temos milhares de péssimos advogados e ter a prova da OAB ou ter a necessidade de ter um diploma não impede que você tenha péssimos advogados.”
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