
Mudou, mas continua igual…
Esse foi o recado que o vice-governador Felicio Ramuth, agora no MDB, passou para os aliados em reunião realizada na noite desta quarta-feira (8), na sede do diretório do PSD de São José dos Campos. Eu, com os meus botões, lembrei de “O Leopardo”, livro de Giuseppe Tomaso di Lampedusa, traduzido para o cinema pelas mãos de Luchino Visconti. Não viu? Vale a pena.
De lá, de “O Leopardo”, tiro a frase: “Se queremos que tudo continue como está, é preciso que tudo mude.” Traduzindo: em choque com Gilberto Kassab, o big boss do PSD, Felicio migrou para o MDB para continuar a ser vice de Tarcísio de Freitas (Republicanos) nas eleições deste ano, mas, aqui, na base, nada muda.
Todos continuam unidos, continuam amigos e continuam onde estão. Com raras exceções, como Renata Paiva, que acompanhou Felicio e foi para o MDB para ser a candidata do grupo à Câmara Federal. No mais, algumas partes da fala de Felicio valem ser destacadas. Vamos lá, didaticamente:
Recado: a mudança para o MDB foi um movimento importante para o governo Tarcísio. Motivos: evita que o MDB venha a apoiar Lula na esfera nacional e fortalece o partido em São Paulo.
Literal: “Essa minha ida pro MDB foi um movimento importantíssimo para o governo Tarcísio porque ele fez um movimento para o candidato Flávio Bolsonaro. Evitou que o MDB não se viesse ou apoiasse o Lula em esfera federal. Quando ele me transforma no vice do MDB, aí o Baleia vai e diz: ‘Melhor, agora eu tenho um vice do Estado de São Paulo'”.
Tradução: A migração para o MDB é tratada como uma manobra estratégica coordenada.
Recado: A prioridade total é São José dos Campos. Nada muda com essa migração individual. O time continua coeso e nossa missão é reeleger nossos candidatos a deputado estadual e federal, além de manter o foco na Prefeitura.
Literal: “A nossa prioridade aqui é uma: é São José dos Campos. Nada precisa mudar em relação a isso, essa migração quase que individual. Eu fico muito mais tranquilo em saber que esse time vai continuar coeso. O nosso time tem hoje (…) tem a missão de reeleger os nossos dois pré-candidatos.”
Tradução: Mesmo atuando na esfera estadual, Felicio reafirma que São José dos Campos permanece como eixo central de suas ações.
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Recado: O governo Tarcísio está tornando o Estado, no jeito de fazer política, muito mais parecido com o que foi feito em São José dos Campos. É o projeto de reproduzir a chamada “boa política” em outras esferas.
Literal: “É uma mudança que torna o Estado de São Paulo cada dia no jeito de fazer política muito mais parecido com aquilo que a gente fazia aqui. Esse era o projeto original: será que era possível reproduzir a boa política de São José dos Campos em outras esferas?”.
Traduçâo: O governo Tarcísio é apresentado como um reflexo das práticas administrativas implementadas em São José dos Campos. A estratégia é consolidar o discurso de eficiência municipal como selo de qualidade.
Felicio ainda disse, ao explicar a troca pelo MDB, que não dava para Tarcísio ter um vice do PSD, partido que lançou um candidato a presidente da República (Ronaldo Caiado, até aqui). Afinal, o governador já declarou apoio ao nome do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro. Esse palanque cruzado seria difícil de encaixar.
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CEP
Ao final, Felício foi bastante aplaudido, assim como o prefeito Anderson Farias (PSD) em seu discurso. A casa estava cheia, com presença de militantes, empresários, líderes classistas e candidatos.
Curioso nesse vaivém de siglas e lideranças: a reunião do vice do MDB foi no diretório do PSD, como dito acima, mesmo espaço que, por anos, abrigou o PSDB em São José dos Campos. Malvadinho esse Lampedusa, sabia das coisas…
Segue o baile…