
Todo ano é a mesma coisa. Digo sempre, não vou ver mais! Aí a Nanda é indicada. Aí o Wagner é indicado. E lá vou eu, não só vejo como participo de bolão. Duas perdas nomináveis!
Já sabemos o que a Academia vai eleger, mas teimamos em votar em quem achamos melhores. Vários colunistas especializados elencaram Wagner Moura (ator) e Stellan Skarsgård (coadjuvante) como reais vencedores. Concordo vivamente.
Sou amadora de cinema. Vejo filmes em série, participo de cinedebates e sou palpiteira. Ok, mas aqui não quero falar disso. O que me pegou, mais uma vez, no show, foi a pobreza das piadas, os diálogos rasos, as tiradas infantis.
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Seguindo o conceito do politicamente correto, parece que os roteiristas perderam a capacidade de inventar frases de efeito. Qualquer cena de Os Trapalhões renderia, hoje, pelo menos três condenações.
Homens fazendo intriguinhas de inveja (o quadro de Will Arnett e Channing Tatum apresentando a melhor animação foi desolador). A ex-editora-chefe da Vogue, Anna Wintour (ao lado de Anne Hathaway) com seu mau humor diabólico não acrescentou nada de nenhuma graça.
Não consigo enumerar todas as gafes, porque são dezenas e nem vou falar das ozempiqueanas em ação que, magérrimas, mal conseguiam se mover e sumiam dentro de vestidos aramados. E adorei a carta de repúdio à barba feita do Pedro Pascal. 😊

A indústria está mudando a forma como os filmes são feitos. Os streamings já estão se adaptando para que as cenas de ação dos filmes aconteçam no início da trama, porque o público presta um “nível de atenção diferente” ao assistir em casa e “não seria tão ruim se você repetisse a trama três ou quatro vezes no diálogo, porque as pessoas estão mexendo nos celulares enquanto assistem”.
Uma mesmice cafona, trivial, irrelevante, fútil, inofensiva, vazia de conteúdo. Existem, porém, projetos bem-sucedidos, como Adolescência, Valor Sentimental ou O Agente Secreto. Uma boa história, densidade dos personagens, roteiro bem-amarrado. O simples feito com classe.
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Já podemos imaginar que tudo será mais fluido no futuro. Já somos a sociedade do cansaço, líquida e gasosa. Nem adianta achar que no passado… o passado passou! Temos de encarar as mudanças e nos adaptar. Talvez em 2027 tenhamos um outro filme para chamarmos de nosso e, quem sabe, ele seja bom mesmo?
Alguém se lembra do nome de quem ganhou o Miss Universo porque Martha Rocha tinha duas polegadas (cinco centímetros) a mais de quadril? E quem, mesmo, foi a insossa que ganhou o Oscar da Fernandona, em 1999? Vou fazer um boicote ao Oscar. Vou ficar de mal à morte! Até o ano que vem, pelo menos. Mas podemos, de vez em quando, reclamar de quem fala uma coisa e faz outra.
Uma plateia tão galante bem podia comer seu lanchinho e depositar as sacolas embaixo das poltronas, para dar exemplo de gestão ESG, enquanto Paul Thomas Anderson (diretor de Uma Batalha Após a Outra), afirmava: “Escrevi este filme para pedir desculpas aos meus filhos pela bagunça que deixamos neste mundo que estamos entregando a eles”.
*Sobre ESG, recomendamos a coluna do nosso colega Luis Fernando Magalhães, que escreve (e muito bem)
