
O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) entregou o título de Pesquisador Emérito ao professor Fernando de Mendonça, de 100 anos, uma das figuras mais importantes da história da ciência e tecnologia no Brasil.
O evento ocorreu na residência do homenageado em São José dos Campos, com a presença do presidente do CNPq, Ricardo Galvão, e pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), instituição que Mendonça ajudou a fundar e dirigiu por 13 anos (1963–1976).
Legado científico e resistência política
Galvão destacou que Mendonça foi “um homem à frente de seu tempo”, lembrando sua atuação na NASA nos anos 1960 e seu papel na criação do INPE, então sob ameaça de ser absorvido pelo Ministério da Aeronáutica durante o regime militar.
“Por essas razões, Fernando de Mendonça é reconhecido como uma das grandes personalidades militares, juntamente com o Brigadeiro Casimiro Montenegro, Almirante Álvaro Alberto e General Argus Moreira, que contribuíram de forma seminal para a criação e consolidação do Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia.”
Entre as contribuições do pesquisador estão:
- Formação de cientistas: enviou 84 estudantes para doutorado no exterior com apoio do CNPq e da NASA – apenas um não retornou ao Brasil.
- Sensoriamento remoto: implementou a primeira estação da América do Sul (em Cuiabá) para receber dados do satélite ERTS-1 da NASA em 1973, pioneira no monitoramento ambiental.
- Educação via satélite: criou o Projeto SACI (1974), que levou aulas por TV a escolas em regiões remotas, embora interrompido em 1978 por custos.
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Uma vida dedicada ao espaço
Natural do Ceará, Mendonça foi aviador da FAB, formou-se no ITA e obteve PhD em Stanford (EUA).
Dirigiu também a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e atuou no setor privado de telecomunicações.
Seu método para calcular o conteúdo eletrônico da ionosfera (desenvolvido na NASA em 1962) é referência.
Emocionado, agradeceu a homenagem e reforçou que o CNPq e a CAPES foram essenciais para consolidar o INPE.
Outros homenageados
Em 2025, também receberam o título de Pesquisador Emérito:
- Ennio Candotti (in memoriam)
- Leda Bisol
- Marilena Chauí
- Newton Carneiro Affonso da Costa (in memoriam)
- Roberto José da Silva Badaró