
Você sabia que o Vale do Paraíba pode ser um dos protagonistas da transformação ESG no Brasil? A região, que já abriga polos tecnológicos, universidades e algumas das cidades mais bem administradas do país, tem todos os ingredientes para se tornar referência em Governança, o “G” que sustenta os pilares do ESG (Meio Ambiente, Social e Governança).
São José dos Campos é um bom exemplo: foi eleita a cidade mais inteligente do Brasil no Ranking Connected Smart Cities 2023, liderando em empreendedorismo e tecnologia. Mais do que inovação, isso reflete uma gestão pública que prioriza planejamento, transparência e participação cidadã, três componentes fundamentais de uma governança moderna e eficiente. Não afirmo que a gestão seja perfeita, mas reconheço que o caminho adotado nos posiciona de forma destacada, não apenas no Brasil, mas também na América Latina.
O impacto de uma boa gestão é palpável. Segundo dados da Fundação Seade (2023), o Produto Interno Bruto (PIB) de São José dos Campos cresceu 239% em 19 anos, alcançando a marca de R$ 45,2 bilhões, posicionando a cidade como a 9ª economia do Estado de São Paulo. E esse crescimento sustentável só é possível quando a governança é eficiente, transparente e orientada para o futuro. Há também um detalhe de destaque: A continuidade da política e cultura pública. E ressalto, aqui eu trago o olhar para o ESG na sua essência.
O conceito de governança, no contexto ESG, não se limita apenas a grandes empresas: ele é essencial para cidades e regiões que buscam crescimento de longo prazo. Uma pesquisa do Banco Mundial aponta que boas práticas de governança podem elevar o PIB de regiões em até 15%, reduzindo desigualdades e ampliando o acesso a serviços públicos. (Cabe destacar que, em minha opinião, o PIB não é o indicador mais adequado para medir o real progresso, mas, dentro da lógica econômica vigente, esse crescimento reflete a importância de uma governança eficiente, transparente e orientada para o futuro.)
Outro aspecto crucial é a transformação digital. São José dos Campos implementou uma das redes públicas de Wi-Fi mais abrangentes do Brasil, beneficiando mais de 200 mil pessoas por mês, segundo CommScope. Isso permite maior inclusão digital, facilita o acesso à educação e aos serviços públicos e melhora a transparência da gestão.
Mas felizmente não é apenas São José, cidades como Taubaté e Jacareí também vêm se destacando. Taubaté, por exemplo, segundo o Seade, registrou um PIB de R$ 14,7 bilhões em 2021, com forte crescimento em setores como indústria e educação superior. Jacareí, com investimentos em mobilidade urbana e saneamento, reforça a importância da governança para a qualidade de vida da população.
A utopia está no horizonte
Como já mencionei, não se trata de uma gestão perfeita. Um amigo que respeito muito e que, inclusive, foi candidato a prefeito de São José dos Campos, costuma levantar pontos interessantes que merecem reflexão. E, apesar dos avanços consistentes, é natural que desafios também existam.
Algumas discussões surgiram em torno de temas como a terceirização de serviços públicos essenciais, como saúde e limpeza urbana. Esses pontos geram debates relevantes sobre a busca contínua pelo equilíbrio entre inovação, eficiência e a qualidade dos serviços prestados à população.
O que esses contrapontos demonstram, na prática, é que mesmo cidades consideradas referência em governança e inovação têm espaço para aprimorar suas estratégias. Esse processo de revisão e evolução constante é, na verdade, uma característica saudável de administrações que buscam um desenvolvimento verdadeiramente sustentável, inclusivo e alinhado aos princípios do ESG.
Por que isso importa?
Porque o ESG está deixando de ser apenas um diferencial para se tornar uma exigência de mercado e da sociedade. Empresas, investidores e até governos estão cada vez mais atentos à sustentabilidade dos seus parceiros e territórios. Um estudo da PwC mostra que 79% dos investidores globais consideram práticas ESG essenciais para avaliar a resiliência e o valor de longo prazo de empresas e regiões.
No Vale do Paraíba, o caminho está aberto para que a região se posicione não apenas como um polo industrial e tecnológico, mas também como um exemplo de desenvolvimento sustentável e de excelência em governança pública e privada.
Fortalecer a governança pública e incentivar práticas ESG nas empresas e instituições locais é a chave para garantir um crescimento que seja, ao mesmo tempo, econômico, social e ambientalmente responsável.
Agora fica a pergunta: estamos prontos para aproveitar essa oportunidade?
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