Close Menu
    Sobre a spriomais
    • Institucional
    • Equipe
    • Contato
    Escute a rádio spriomais
    Facebook X (Twitter) Instagram YouTube LinkedIn WhatsApp
    • Institucional
    • Equipe
    • Contato
    Facebook X (Twitter) Instagram YouTube Spotify LinkedIn WhatsApp
    spriomais
    • Notícias
      • Cidades
      • Cultura
      • Especiais
      • Esporte
      • Geral
      • Made In Sanja
      • Meio Ambiente
      • Mulher
      • Polícia
      • Política
      • Tecnologia
      • Turismo
    • Colunas
      • + Arte na Cidade
      • Animais Ok
      • Berlim Esporte Clube
      • Código Fonte
      • Cozinha sem Chef
      • Curiocidades
      • Da janela do Helbor
      • ESG na Prática
      • Esquecimento Global
      • Fora do Cabide
      • Ofício das Palavras
      • Playlist de maestro
      • Todas as Claves
      • Viva
    • Podcast
    • Branded
    • Acontece spriomais
    • Publicidade Legal
    rádio
    spriomais

    FLIMA

    Você está em:Início » O Louco da Aldeia
    Ofício das Palavras

    O Louco da Aldeia

    4 de abril de 2025Updated:4 de abril de 2025Nenhum comentário4 Minutos de Leitura
    WhatsApp Facebook Twitter LinkedIn Email
    Compartilhe
    Facebook Twitter LinkedIn WhatsApp Email Copy Link
    O Louco da Aldeia
    Paulo Leminski (Crédito: Reprodução/ THMais)

    O grande homenageado da Flip 2025 foi um garoto brilhante, curioso e persistente no que queria aprender. Entrou no Mosteiro de São Bento, onde encontrou o silêncio (que ajudou a eliminar, e o vazio (o sentido do nada). Tornou-se atleta de judô. Dominava oito idiomas, incluindo grego e latim. Dono de humor implacável, morreu de cirrose hepática no vigor dos 44 anos. 

    No livro O Bandido Que Sabia Latim, Toninho Vaz, amigo e fã de Leminski, traz a vida por trás da obra. São entrevistas com quem conviveu com o poeta (amando-o ou não). Trago aqui um exemplo de sua irreverência.

    No II Seminário Nacional de Literatura, 1969, uma mesa com o escritor José Louzeiro, o poeta Wlademir Dias Pino e a poeta Lupe Cotrim, professora de estética da USP. Cotrim fez uma citação de James Joyce em trecho, segundo ela, “extraído do polêmico livro Finnegan’s Wake…” Um grito na plateia:

    — Um momento! Joyce nunca disse isso em Finnegan’s Wake.

    Começou um bafafá. Uns diziam que ele era irreverente, outros que era maluco. A professora Cotrim começou a chorar, Wlademir Dias gaguejava sem parar e a confusão aumentou. Esvaziaram a sala. No dia seguinte, Leminski reapareceu com vários livros embaixo do braço e assim que a sessão foi aberta, levantou-se e falou com voz forte e poderosa:

    — Eu voltei para dizer que o trecho que a senhora citou ontem, professora, é de Ulisses e não de Finnegan’s Wake.

    Ele estava certo! E se vivo, hoje, com a proliferação de textos atribuídos a ele e a outros – Clarice, Machado, Rosa – estaria vociferando nas mídias sociais. 

    Alice Ruiz (poeta, publicitária, letrista e tradutora), foi sua companheira durante 20 anos, mãe de três filhos, Miguel (que morreu aos dez anos), Aurea e Estrela.  As três continuam a propagar o legado do poeta.

    “O seu processo de criação foi muito raro: lapidava e polia incansavelmente até chegar a um resultado que o deixasse satisfeito, o que não era fácil. Ele era muito crítico consigo mesmo e incansável. Podemos perceber isso nos manuscritos, o quanto fazia experimentos na linguagem, modificando, invertendo, procurando a melhor palavra, procurando o melhor sentido. Estudava dicionários, lia clássicos no original às vezes só com um dicionário para ajudar. E estamos falando de uma era pré-computador. (Aurea Leminski)

    “Pena de quem tenta rotular Leminski. Muito pop para os concretas, muito punk para os tropicalistas, muito culto para a geração mimeógrafo, muito provinciano para o eixo, muito poliglota para os modernistas, muito músico para os simbolistas, muito boêmio para os acadêmicos, muito família para os beatnicks. Quem tenta pregar um rótulo escorrega. Cada pessoa realmente só vai poder falar de algumas facetas. Uma pesquisa é coisa séria, mas não é tão difícil se esforçar para ser bom pesquisador. Basta respeitar a fonte. Respeitar no sentido etimológico, re−spectare, olhar de novo e de novo. (Estrela Ruiz Leminski).

    Impossível falar de Leminski em duas laudas. O melhor caminho é ler suas obras e entender por que os novos poetas se inspiram nesse louco da aldeia.

    carta ao acaso 

    amor, então, 

    também, acaba? 

    não, que eu saiba. 

    o que eu sei 

    é que se transforma 

    numa matéria-prima 

    que a vida se encarrega 

    de transformar em raiva. 

    ou em rima. 

    pariso 

    novayorquizo 

    moscoviteio

     sem sair do bar 

    só não levanto e vou embora 

    porque tem países 

    que eu nem chego a madagascar

    mira telescópica 

    de rifle de precisão 

    ou janela quebrada 

    onde uma criança se debruça 

    pra ver as coisas que

    são cenas da revolução russa? 

    ameixas 

    ame-as ou deixe-as

    parem

    eu confesso

    sou poeta

    louco da aldeia paulo leminski

    * A opinião dos nossos colunistas não reflete necessariamente a visão do portal spriomais.

    Tati Iaconelli e May Parreira

    Tati Iaconelli e May Parreira

    May Parreira é psicóloga, professora, supervisora e terapeuta há 25 anos. Sua filha, Tati Iaconelli, é formada em propaganda e marketing. Juntas, comandam o Ofício das Palavras, editora e estúdio literário que tem como objetivo lançar novos talentos da língua portuguesa.
    Compartilhe Facebook Twitter Pinterest LinkedIn WhatsApp Telegram Email Copy Link
    Notícias AnterioresJudô de São José dos Campos brilha no Brasileiro com nove medalhas
    Próxima Notícia Serra antiga da Tamoios é interditada por alto volume de chuvas

    Notícias Relacionadas

    É nóis no riff

    26 de junho de 2026

    Sobre objetos de resistência

    28 de maio de 2026

    A arte de conter multidões

    11 de maio de 2026
    Inscrever-se
    Acessar
    Notificar de
    Acessar para comentar
    0 Comentários
    mais antigos
    mais recentes Mais votado

    Jacareí – Rede de Apoio




    cecsjc


    SJC – DROGAS SJC – DROGAS

    A spriomais é o primeiro portal jornalistico multidigital do Vale do Paraíba, com os principais acontecimentos da região, do Brasil e do mundo.

    email:
    jornalismo@spriomais.com.br

    Maior festival gastronômico do Vale do Paraíba, com 60 mil pessoas na edição de 2024, e que reúne os melhores restaurantes, bares e confeitarias de São José dos Campos.

    instagram:
    @mais_gastronomia
    email:
    comercial@spriomais.com.br

    O design elegante e as fotografias selecionadas reforçam a atmosfera gourmet do jornal impresso e digital do Grupo SP Rio Mais.
    Um convite ao leitor para desacelerar diante das páginas e perceber a informação como parte de uma experiência estética.

    email:
    comercial@spriomais.com.br 

    • Facebook
    • Twitter
    • Instagram
    • YouTube
    • LinkedIn
    • WhatsApp
    • Spotify
    © 2026 SPRIO SERVIÇOS DE COMUNICAÇÃO EIRELLI - spriomais 2025 © Todos os direitos reservados

    Escreva algo e precione Enter para buscar. Pressione Esc para cancelar.

    wpDiscuz
    Usamos cookies para garantir que oferecemos a melhor experiência em nosso site. Se continuar a usar este site, assumiremos que está satisfeito com ele.