
30 anos após a Declaração de Pequim, assinada por 189 governos em 1995, o progresso em igualdade de gênero é notável, mas desigual.
O relatório da ONU Mulheres revela melhorias em leis antidiscriminatórias e políticas sensíveis ao gênero, mas a desigualdade estrutural persiste em diversos setores.
O número de mulheres em cargos parlamentares cresceu de 11% em 1995 para 26% em 2024, mas no Brasil, apenas 17,7% das cadeiras na Câmara dos Deputados são ocupadas por mulheres (IBGE).
No ritmo atual, a paridade política pode levar mais de 40 anos. Além disso, a diferença salarial permanece: mulheres ganham, em média, 20% menos que os homens para funções equivalentes.
Outro dado alarmante é que 25% dos países relataram retrocessos nos direitos das mulheres em 2024. A violência de gênero continua sendo um obstáculo significativo: 1 em cada 3 mulheres enfrenta violência física ou sexual ao longo da vida.
No Brasil, foram registrados 1.463 feminicídios em 2023, um aumento de 2,6% em relação ao ano anterior (Fórum Brasileiro de Segurança Pública).
Na educação, as mulheres superam os homens em acesso e desempenho acadêmico. No Brasil, 57% dos universitários são mulheres (INEP).
No entanto, essa vantagem não se reflete em posições de liderança: apenas 8% dos CEOs das 500 maiores empresas brasileiras são mulheres (McKinsey).
Políticas públicas e agenda global
O Brasil tem a oportunidade de liderar essa pauta na COP30, em Belém (2025), integrando igualdade de gênero à transição energética e ao desenvolvimento sustentável.
Modelos como o da Noruega, que possui 45% de representação feminina no parlamento e políticas robustas de licença parental e igualdade salarial, mostram que é possível avançar com governança eficiente.
No Vale do Paraíba, região estratégica entre São Paulo e Rio de Janeiro, a presença de polos industriais e tecnológicos traz oportunidades e desafios para a igualdade de gênero.
Na educação, mulheres já representam a maioria no ensino superior. Universidades como a Universidade de Taubaté (Unitau) e o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) têm registrado aumento na participação feminina em cursos como engenharia e tecnologia.
Entretanto, no mercado de trabalho, a desigualdade persiste. As mulheres da região enfrentam desafios semelhantes aos do restante do país, como disparidade salarial e baixa representação em cargos de liderança.
A dupla jornada, conciliando trabalho remunerado e responsabilidades domésticas, é uma realidade.
Diversas iniciativas tentam mudar esse cenário. O Empreend’Elas, do PIT (Parque de Inovação Tecnológica de São José dos Campos), e organizações como o Instituto Promundo desenvolvem programas para incentivar a presença feminina em áreas STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática).
Além disso, prefeituras como as de São José e Taubaté implementaram políticas de capacitação profissional para mulheres.
O papel da sociedade e das empresas
A promoção da igualdade de gênero não é responsabilidade exclusiva do governo. Empresas do setor tecnológico e industrial no Vale do Paraíba têm adotado políticas de diversidade, como programas de mentoria, treinamentos sobre vieses inconscientes e ambientes de trabalho flexíveis.
Campanhas de conscientização sobre equidade salarial e liderança feminina também têm ganhado força.
30 anos após a Declaração de Pequim, avanços são inegáveis, mas desafios persistem. No Vale do Paraíba, iniciativas locais mostram que é possível progredir para uma sociedade mais justa e igualitária.
A continuidade e ampliação dessas ações são essenciais para futuras conquistas na luta pela igualdade de gênero.
Exemplos de iniciativas na região
São José dos Campos
- Empreend’Elas Start
- Banco do Povo – linha de crédito para empreendedoras;
- Capacitação para mulheres em situação de vulnerabilidade: Parceria com o Sebrae-SP e o Ministério Público para apoiar mulheres em situação de violência doméstica;
Taubaté
- Escolas do Trabalho: O município possui oito unidades com 10 mil alunos e índice de aprovação de 98%;
- Eventos de Empreendedorismo Feminino: O Hub de Inovação Tecnológica de Taubaté (HITT) realiza eventos como o “Vênus Talks” para apoiar o empreendedorismo feminino.