Primeiros raios de sol do ano novo. Pessoas ainda alegres, de sorriso fácil, passam por você lhe desejando feliz ano novo! Ninguém está apressado com o trabalho! Mesmo aquele vizinho que não fala bom dia no dia a dia e muito menos espera chegar ao elevador, apertando o botão da porta para ir mais rápido, hoje é só sorriso.
Todos param, conversam e falam sobre a festa de ontem/hoje, afinal muitos ainda estão voltando para casa depois da ceia de ano novo. De onde vem toda essa alegria e sociabilidade? Por que esse dia consegue transformar, pelo menos por algumas horas, toda essa gente?
A ideia de comemorarmos a passagem de um ano para outro remonta às antigas civilizações. Na Mesopotâmia, por exemplo, ocorria no equinócio da primavera, relacionado com o ciclo agrícola. Evidentemente também se festejava algum deus, eventos cósmicos ou míticos, e ocorriam festas que duravam vários dias, sempre com abundância de alimentos.

No Egito antigo, a festa se relacionava com o período de inundações do rio Nilo, associado a um novo período de cultivo e fertilidade, geralmente em meados de julho. Sugerimos as obras de Samuel Noah Kramer (disponível no JSTOR e Google Books).
Em 46 a.C., o imperador romano Júlio César, com o auxílio do astrônomo Sosígenes de Alexandria, propôs uma reforma no calendário a fim de corrigir as inconsistências do calendário anterior, que estava em uso desde os tempos da fundação de Roma (calendário romano).
Este foi adotado por todo o Império Romano e, mesmo após a queda do império, continuou a ser utilizado em grande parte do mundo ocidental durante muitos séculos. Ele foi o calendário dominante na Europa cristã e amplamente utilizado em suas colônias.
No calendário Juliano, o 1º de janeiro foi estabelecido como o primeiro dia do ano, em homenagem ao Deus romano Jano, o deus das portas e das transições.
Jano representava a passagem do antigo para o novo, o que estava intimamente relacionado às festividades de Ano Novo, simbolizando tanto o fechamento de um ciclo quanto o início de outro.
O calendário gregoriano foi introduzido em 1582 pelo Papa Gregório XIII para corrigir as imprecisões do calendário Juliano.
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Com a generalização do calendário gregoriano, o 1º de janeiro se tornou amplamente aceito como o primeiro dia do ano em grande parte do mundo, com celebrações de Ano Novo semelhantes em muitas culturas ocidentais, como fogos de artifício, contagem regressiva e festas de réveillon. Para saber mais acesse “Calendars of the Ancient World” – disponível no Encyclopaedia Britannica online.
Durante a Idade Média, os banquetes de ano novo continuaram a ser celebrados, mas com um enfoque mais religioso, especialmente nos países cristãos da Europa Ocidental.
A Igreja promovia as festividades com orações e missas para bênçãos para o próximo ano. Porém, em casa e na presença de familiares e amigos, o banquete ainda se fazia presente.
Com o Renascimento, as comemorações da virada do ano tornaram-se mais sofisticadas e o banquete passou a ser associado à prosperidade e às conquistas do ano que passou.
Lembremos que nesse período a Europa foi inundada por especiarias, algumas caras, somente ao alcance da nobreza. Quanto mais especiarias na comida, maior destaque para o anfitrião.
A Revolução Francesa e as mudanças sociais e políticas do século XIX causaram grande impacto nas comemorações de fim de ano. Durante esse período, o conceito de “recomeço” e a celebração de uma “nova ordem” trouxeram à tona a ideia de realizar festas grandiosas e banquetes de ano novo com dança, música, convidados especiais e acessíveis às outras classes sociais.
Nesse período, surge o que conhecemos hoje como restaurantes, e a “Nouvelle Cuisine” já se preocupava mais com o uso correto das especiarias e alimentos mais frescos – assuntos que abordaremos com mais detalhes em outra oportunidade.
No século XX, a tradição do banquete de Réveillon se consolidou na cultura ocidental, especialmente nos Estados Unidos, Europa e países de influência europeia. O Réveillon passou a ser associado à contagem regressiva, brindes com champagne, música e dança, muito influenciados pela cultura pop americana e pelos filmes amplamente divulgados.
O banquete de Réveillon tem suas origens nas antigas celebrações de Ano Novo, especialmente nas civilizações da Mesopotâmia, Roma Antiga e outras culturas agrícolas, onde as festas de fim de ciclo eram associadas à prosperidade, renovação e boas colheitas.
Ao longo do tempo, especialmente após a Idade Média, essa prática evoluiu para uma celebração social e familiar, combinando elementos religiosos e culturais de várias tradições. Hoje, o banquete de Réveillon é uma ocasião de confraternização, com grande ênfase na comida, bebida e alegria, sendo um dos momentos mais aguardados do ano para muitas pessoas ao redor do mundo.
Espero que os fogos de artifício tenham afugentado os maus espíritos, que o brinde possa se repetir ao longo do ano em diversas ocasiões, que a música e as danças façam parte da alegria do dia a dia, que os banquetes ocorram em abundância, por mais simples que possam ser, e que não tenhamos mais fome no mundo. Que, no final do ano, estejamos aqui comemorando sucesso, harmonia e, sobretudo, amor.
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