Imagine só convidar Messi, Cristiano Ronaldo, Neymar, Vini Júnior, Mbappé e outros tantas astros do futebol atual para um mesmo bate-bola?
É um escrete capaz de transformar qualquer “casados contra solteiros”, qualquer “rachão”, em final de Copa do Mundo, não é? Com tanto craque em campo, a expectativa seria, com certeza, de um grande jogo, com uma “chuva” de gols, dribles e lances de levar até o torcedor menos fanático ao delírio. Concorda? Pois é.
Mas, e se acontecer exatamente o contrário? Caneladas, gols perdidos debaixo da trave, “furadas” homéricas, “carrinhos” por trás, um “festival” de jogadas violentas e cartões vermelho, dois times “castigando” a bola por 90 minutos, mais os acréscimos? É o caso de perguntar: caramba, tanto craque em campo pra isso?
A campanha eleitoral deste ano em São José dos Campos está sendo, mais ou menos, assim: muito craque em campo, mas pouco, muito pouco futebol.

Exagero? Longe disso. De um lado, Anderson Farias e Felicio Ramuth, ambos do PSD, ambos com anos de “janela” na política, o último, vice-governador do Estado; do outro, Eduardo Cury (PL) e Emanuel Fernandes (PSDB), ambos com anos de “janela” na política, ex-prefeitos, ex-deputados federais, o último, criador do “novo” jeito de fazer política em São José dos Campos, “escolinha” que traça os destinos da cidade desde 1996, 28 anos atrás.
Nos dois grupos, além das lideranças, muita gente boa, formuladores de políticas públicas, gente de destaque. E, até agora, reta final de segundo turno, o que se viu de novas ideias, novos projetos, de propostas de vanguarda nesta campanha não vale um dedal de mel coado, nem bufa de muriçoca. Ideias? Se bobear, o que ficará desta campanha, a mais disputada da cidade em três décadas, são memes, ofensas e muita baixaria.
De lado a lado, é bom deixar claro…
Critiquei outro dia, neste espaço, o baixo nível pífio da campanha e um amigo muito querido reagiu bravo. “Esse papo de que a eleição não debateu os reais problemas da cidade, escuto há uns 30 anos.
Aliás, em qual a eleição isso ocorreu?”, disse ele. Terá razão? Quem sabe. Fiquei mais ranzinza e mais exigente com a idade? Pode ser. Mas isso leva a outra questão: desde quando a gente é obrigado a se contentar com pouco, a nivelar o debate por baixo? Discordo. “Sejamos realistas, peçamos o impossível”, escreveram, nos muros de Paris, os estudantes durante os protestos de maio de 68.
Cá entre nós, estou mais próximo deles do que dos “cardeais” da política joseense que perdem tempo discutindo quem é mais mentiroso, quem xingou quem primeiro e outras coisas completamente sem sentido.
São José dos Campos tem problemas e desafios que merecem ser analisados e debatidos de forma ampla, mas, o debate, nesta campanha, tem tido a profundidade de uma poça d’água. É pouco, muito pouco, pouco mesmo para tanta gente de qualidade envolvida. Não dá para se contentar com pouco. Peçamos o impossível.
Segue o baile…
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