Um momento sublime aconteceu ontem, 23 de outubro, no concerto da Orquestra Joseense no Teatro Municipal da cidade.
O concerto, todo dedicado a obras contemporâneas e brasileiras, foi institulado “A Voz do Brasil”, e incluiu peças certamente desconhecidas da grande maioria do público.
Foram tocadas a “Suíte Brasileira n. 1” (de Beetholven Cunha), “Três pequenas variações sobre o tema ‘A maré encheu’” (de Clarice Assad), “Invenções Brasileiras n.3” (de Juliana Ripke), “Danças Brasileiras” (de Carlos dos Santos).

Por fim “Os Borulóides” (de Edmundo Villani-Côrtes), de Edmundo Villani-Côrtes (1930). Cheia de texturas, rítmicas brasileiras e generosas linhas melódicas, a última peça se destacou por sua maturidade e sonoridade plena.
Cordas, sopros (madeiras e metais) e percussão, todos estavam convocados nesta belíssima obra do maestro Villani. Em destaque, o solo expressivo e seguro da violinista e spalla da Orquestra Joseense, Eloísa Rocha, e as cadências dos flautistas Filipe Ferreira e Nadine Morais.
Para coroar a raridade do momento, o compositor de 94 anos estava presente, e vibrante pela excelente execução da orquestra, regida impecavelmente pelo maestro William Coelho. Quantas vezes nós músicos temos a honra de tocar para quem concebeu a obra? Quantas vezes as compositoras e compositores podem ouvir suas peças executadas ao vivo, e de foram tão inspiradora?
Neste mar de emoções e raridades a noite se encerrou, de forma sublime e mágica.
A noite com “A Voz do Brasil”
“A Voz do Brasil” trouxe a diversidade da linguagem musical contemporânea brasileira, o equilíbrio entre gêneros (raramente temos obras de compositoras em programas de concerto), e um encontro de gerações de compositores e compositoras.
A escolha das obras reflete um grande, corajoso e visionário gesto do maestro William Coelho que com virtuosismo vem conduzindo um sólido desenvolvimento da Orquestra Joseense desde a sua criação, em 2022. Esta é a razão pela qual a orquestra, apesar de recente, ter atingido um alto grau artístico, sendo a principal orquestra do Vale do Paraíba.

A Orquestra Joseense é um projeto de formação no qual jovens músicos e profissionais integram o corpo artístico orquestral. Foi inaugurado em 2022 pela Fundação Cultural Cassiano Ricardo.
É raro termos ouvidos abertos para “o nosso”, e ainda mais em se tratando de obras orquestrais, pois já temos inúmeras e fortíssimas referências europeias implantadas no nosso ouvido, não é mesmo?
Então trazer o novo, o “nosso” é um ato pedagógico também, educativo e transformador, tanto para os músicos quanto para a plateia. São oportunidades raras como esta que deixam algo de mágico no ar, e uma sensação de futuro artístico para nossas jovens orquestras.
Tem algum assunto que te intriga sobre a música? Mande uma sugestão nos comentários! Até a próxima!
Dicas da Dra.
Hoje são duas!
- Acompanhe a Orquestra Joseense! O próximo concerto será dedicado a Mozart, no dia 17 de novembro (domingo).
- Conheça o trabalho do Centro de Documentação Musical (CDM) de São José dos Campos, um dos únicos do país, que preserva o patrimônio musical brasileiro. É um projeto sem fins lucrativos coordenado por mim, Raquel Aranha, e realizado no Pavilhão Marina Crespi (no Parque Vicentina Aranha). Lá se preservam inúmeras obras de compositoras e compositores (atuais e do passado), da cidade e também de outras partes do país. O CDM preserva e dá vida à nossa história cultural!/Instagram: @cdmsaojose
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